Aquecimento do Oceano Pacífico atinge patamar de Super El Niño em julho, algo inédito. Entenda os alertas de cientistas e os possíveis impactos no Brasil.
Olyvio Marques
Editor · Clima · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O Oceano Pacífico Equatorial atingiu um nível de aquecimento compatível com um Super El Niño, acendendo um alerta global entre meteorologistas. Atualizado em 14 de julho de 2026, o principal indicador do fenômeno alcançou a marca de +2,0°C acima da média, patamar que caracteriza um evento de intensidade muito forte. O fato, inédito para o mês de julho, ocorre cerca de quatro meses antes do observado nos maiores episódios já registrados, reforçando a projeção de que o ciclo 2026-2027 será um dos mais intensos da história moderna, conforme dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) analisados pela MetSul Meteorologia.
O que mais surpreende os especialistas não é apenas a intensidade, mas a velocidade do aquecimento. O patamar de +2,0°C, que define um Super El Niño, foi alcançado em julho deste ano. Em comparação, os eventos históricos mais fortes atingiram essa marca muito mais tarde, de acordo com a série histórica do Índice Oceânico Niño (ONI):
Essa antecipação é vista como uma "clara sinalização de que este episódio de El Niño será um dos mais intensos da história e muito possivelmente o maior dos tempos modernos, em ao menos 150 anos", segundo a MetSul.
A preocupação é corroborada pelos principais modelos climáticos internacionais. Instituições como o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas (ECMWF), a Agência Meteorológica do Japão (JMA) e o Bureau de Meteorologia da Austrália (BoM) convergem para um cenário de aquecimento excepcional. As projeções indicam que o pico de intensidade, medido pelo índice ONI, pode variar de +2,7°C a impressionantes +5,3°C. Para contextualizar, o maior valor já registrado foi de +3,0°C durante o evento de 2015-2016. Mesmo com um novo índice mais conservador, o rONI, que busca descontar o aquecimento global de fundo, a NOAA estima uma probabilidade de 81% de o fenômeno atingir a categoria "muito forte".
Os efeitos do Super El Niño devem se intensificar no Brasil ao longo do segundo semestre, especialmente entre o fim do inverno e a primavera. As diferentes regiões do país devem sentir os impactos de formas opostas.
A Região Sul é a mais vulnerável. A previsão aponta para um aumento significativo das chuvas, elevando o risco de cheias de rios e enchentes, principalmente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Também é esperado um aumento na frequência de temporais severos, com granizo e vendavais.
Enquanto o Sul enfrenta o excesso de chuvas, áreas do Norte e Nordeste devem registrar o oposto: redução das precipitações e temperaturas mais elevadas, com potencial para agravar condições de seca e estresse hídrico.
O Centro-Oeste pode enfrentar ondas de calor intensas e prolongadas, com chuvas irregulares. Já o Sudeste tende a registrar temperaturas acima da média, com períodos de estiagem e temporais isolados, mas destrutivos.
Um El Niño é classificado como "Super" ou "muito forte" quando a anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 do Pacífico Equatorial atinge ou ultrapassa +2,0°C em relação à média histórica.
A principal diferença é a precocidade. Ele atingiu o patamar de Super El Niño em julho, cerca de quatro meses antes de eventos históricos como os de 1997-1998 e 2015-2016, o que sinaliza um desenvolvimento muito mais rápido e intenso.
O Índice Oceânico Niño Relativo (rONI) é um novo parâmetro usado pela NOAA para corrigir o efeito do aquecimento global nas medições. Ele compara o aquecimento do Pacífico com o restante dos oceanos tropicais, resultando em valores de anomalia menores que o índice tradicional (ONI).
O desenvolvimento antecipado e acelerado do Super El Niño em 2026 coloca o mundo em alerta para um período de extremos climáticos. Com projeções indicando um dos eventos mais fortes já registrados, a preparação para os impactos, que vão de enchentes severas no Sul do Brasil a secas no Norte e Nordeste, torna-se uma prioridade para governos e para a sociedade.
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