Cientistas registraram pela primeira vez o parto de uma baleia cachalote, revelando um complexo sistema de ajuda mútua para garantir o primeiro respiro do filhote.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Pela primeira vez na história, cientistas registraram em vídeo o nascimento de uma baleia cachalote (Physeter macrocephalus) e o extraordinário comportamento cooperativo que se seguiu para salvar o recém-nascido. O evento, documentado em julho de 2023 na costa de Dominica, no Caribe, por pesquisadores do Projeto CETI, revelou uma rede de apoio social complexa, antes considerada exclusiva de humanos e primatas. Atualizado em 22 de junho de 2026.
O registro inédito ocorreu em 8 de julho de 2023, quando uma equipe do Projeto CETI observou um grupo de 11 baleias cachalote agindo de forma incomum, agrupadas em torno de uma fêmea chamada Rounder. Conforme relatado em estudos nas revistas Science e Scientific Reports, o que se seguiu foi um trabalho de parto de 34 minutos, culminando no nascimento de um filhote.
O momento mais crítico veio logo após o nascimento. Diferente de mamíferos terrestres, um filhote de cachalote não consegue nadar imediatamente e corre o risco de se afogar se não chegar à superfície para respirar. Foi então que o grupo, composto por parentes e não parentes de duas linhagens familiares distintas, entrou em ação.
Em menos de um minuto após o parto, várias fêmeas adultas se aproximaram e ergueram o recém-nascido com suas cabeças e costas, garantindo que ele pudesse respirar pela primeira vez. De acordo com os pesquisadores, essa assistência durou cerca de três horas, com as baleias se revezando na tarefa de manter o filhote flutuando. O grupo também formou uma barreira protetora contra golfinhos e baleias-piloto que se aproximaram, demonstrando um cuidado social profundamente coordenado.
Esta observação fornece a primeira evidência confirmada de assistência ao parto em uma espécie não primata. Segundo os cientistas, esse comportamento de levantar coletivamente um recém-nascido pode ser uma estratégia evolutiva de mais de 34 milhões de anos, originada nos primeiros ancestrais das baleias dentadas. A análise das vocalizações, conhecidas como "codas", também mostrou um aumento na frequência e mudanças no ritmo dos cliques durante o evento, sugerindo que a comunicação foi fundamental para coordenar a ajuda.
O único macho presente, um jovem chamado Allan, foi mantido afastado pelas fêmeas mais velhas, reforçando a natureza matriarcal e a complexa organização social desses animais. Um ano após o registro, o filhote foi avistado novamente, um sinal positivo de que sobreviveu ao seu primeiro e mais vulnerável ano de vida.
É o primeiro registro em vídeo do nascimento de uma baleia cachalote, fornecendo evidências inéditas de um comportamento de "parto assistido" e cooperação social complexa entre indivíduos parentes e não parentes, algo que se acreditava ser restrito a primatas.
As baleias adultas se revezaram para levantar o filhote até a superfície da água por cerca de três horas, permitindo que ele respirasse. Isso é crucial, pois os recém-nascidos não conseguem nadar sozinhos imediatamente após o parto e poderiam se afogar.
Sim. Análises evolutivas sugerem que a estratégia de levantar coletivamente um filhote pode ter se originado há mais de 34 milhões de anos, com o último ancestral comum das espécies de baleias dentadas.
O registro do nascimento do filhote da baleia Rounder redefine a compreensão sobre a sociedade dos cachalotes. A filmagem não apenas captura um momento íntimo e raro, mas também comprova a existência de um cuidado social coordenado, comunicação complexa e uma rede de apoio que transcende laços familiares diretos, revelando a profundidade da inteligência e cooperação no reino animal.
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