Iniciativa busca criar base de dados físicos para acelerar uso de máquinas em fábricas, hospitais e serviços, superando um dos maiores desafios da robótica.
Olyvio Marques
Editor · Inovação · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A China iniciou uma nova fase na corrida pela automação ao criar centros de treinamento em larga escala, apelidados de 'escolas de robôs', onde mais de 100 máquinas humanoides aprendem a executar tarefas físicas do mundo real. A iniciativa, que se espalha por diversas províncias como Xangai, Pequim e Fujian, visa acelerar a integração desses sistemas em ambientes como fábricas, hospitais e residências.
Nesses centros, que podem ter até 10 mil metros quadrados, os robôs são treinados por operadores humanos para realizar atividades como dobrar roupas, pegar objetos, limpar superfícies e transportar caixas. O processo envolve operadores que utilizam equipamentos de realidade virtual (VR) para guiar os movimentos das máquinas em tempo real. Cada ação é repetida centenas de vezes para gerar um volume massivo de dados.
O objetivo não é apenas ensinar uma tarefa específica, mas construir um enorme banco de dados sobre comportamento físico. Ações simples para humanos, como manipular um tecido flexível ou pegar um copo em uma posição ligeiramente diferente, representam grandes desafios para a robótica.
Diferente de modelos de inteligência artificial treinados com textos e imagens da internet, robôs humanoides precisam de dados físicos para aprender. Informações como pressão, ângulo das articulações, velocidade e força aplicada são essenciais, mas não existem em bases digitais. As 'escolas' foram criadas para resolver exatamente esse gargalo, gerando os dados necessários para que os robôs possam generalizar o aprendizado e se adaptar a ambientes imprevisíveis.
A criação desses centros faz parte de um plano estratégico do governo chinês, que identificou a "inteligência artificial incorporada" (embodied AI) como um setor-chave, de forma semelhante ao que foi feito com os carros elétricos. Cidades como Pequim e Shenzhen estabeleceram fundos de investimento bilionários para fomentar o ecossistema, que inclui desde fabricantes de componentes até os clientes finais.
A iniciativa também responde a desafios internos, como o envelhecimento da população e o aumento do custo da mão de obra, buscando manter a produtividade industrial através da automação avançada.
Embora a tecnologia ainda esteja em desenvolvimento, os primeiros setores a adotar os robôs humanoides devem ser aqueles com tarefas repetitivas e fisicamente exigentes. Entre os mais promissores estão fábricas automotivas, centros de logística e armazéns, onde as máquinas poderão atuar no transporte de materiais, organização de produtos e auxílio em linhas de montagem.