Após rescindir contrato e pagar R$ 12,5 milhões por obra inacabada, gestão Bruno Reis recontrata mesma empresa por mais R$ 6,75 milhões. Saiba mais.
Olyvio Marques
Editor · Salvador · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A Prefeitura de Salvador, sob a gestão do prefeito Bruno Reis, firmou um novo contrato de R$ 6,75 milhões para a construção da Escola Municipal do Curralinho, destinada a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A decisão gerou polêmica por recontratar a mesma empresa, a Nordeste Engenharia, cujo contrato anterior foi rescindido em junho de 2026 após mais de R$ 12,5 milhões já terem sido pagos por uma obra que permanece inacabada. Atualizado em 1 de julho de 2026.
A nova contratação da Nordeste Engenharia foi alvo de duras críticas por parte do deputado estadual Bobô (PCdoB). Segundo o parlamentar, a decisão da gestão municipal amplia as dúvidas sobre a condução do projeto. "A Prefeitura pagou milhões, não entregou a escola, rescindiu o contrato e agora contrata novamente a mesma empresa", afirmou Bobô, conforme noticiado pelo portal Café com Informação.
O deputado classificou a situação como uma "crueldade" com as famílias de pessoas autistas, que criaram uma grande expectativa pela unidade de ensino especializada. A obra, que deveria ser um centro de referência, foi abandonada, segundo o parlamentar.
Anunciada em 2021, a Escola do Curralinho teve sua ordem de serviço assinada em janeiro de 2022. O contrato inicial, de aproximadamente R$ 12 milhões, previa a entrega em 18 meses, ou seja, em meados de 2023. No entanto, a obra sofreu sucessivos atrasos e aditivos que elevaram seu custo para R$ 16,28 milhões.
De acordo com dados do Portal da Transparência levantados pelo Jornal Grande Bahia, a prefeitura pagou um total de R$ 12.590.321,77 à Nordeste Engenharia entre 2021 e 2025. Com a nova contratação de R$ 6,75 milhões, o valor total destinado à unidade já supera os R$ 19 milhões.
A Escola Municipal do Curralinho foi projetada para ser um equipamento de referência em educação inclusiva. O projeto, em uma área de 6,7 mil m², incluía:
A não conclusão da obra impacta diretamente centenas de famílias que aguardam por atendimento especializado na rede pública municipal, conforme apurado pelo Jornal Grande Bahia.
O custo total da obra já ultrapassa R$ 19 milhões. Esse valor é a soma de mais de R$ 12,5 milhões pagos no contrato anterior, que foi rescindido, com o novo contrato de R$ 6,75 milhões firmado com a mesma empresa.
O contrato original, assinado em dezembro de 2021, estipulava um prazo de 18 meses para a conclusão. Portanto, a Escola Municipal do Curralinho deveria ter sido entregue à população em meados de 2023.
As fontes disponíveis não apresentam uma justificativa oficial da Prefeitura para a recontratação da Nordeste Engenharia. A decisão foi criticada pelo deputado estadual Bobô, que aponta que a medida levanta mais questionamentos sobre a gestão do contrato.
A saga da Escola Municipal do Curralinho evidencia um grave problema de gestão pública em Salvador. Uma obra essencial para a educação inclusiva, prometida há anos, permanece inacabada apesar dos milhões de reais já investidos. A recontratação da mesma empresa responsável pelo atraso, agora por um valor adicional, levanta sérias questões sobre transparência e responsabilidade fiscal, enquanto as famílias de crianças com TEA continuam aguardando uma solução concreta.