Comissão de sete vereadores terá dez dias para analisar pedido de impeachment contra Ricardo Nunes, baseado em acusações de interferência eleitoral. Entenda o caso.
Olyvio Marques
Editor · São Paulo · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A Câmara Municipal de São Paulo instalou, nesta quarta-feira (28), uma comissão especial para analisar um pedido de impeachment contra o prefeito Ricardo Nunes (MDB). Atualizado em 29 de outubro de 2026.
A denúncia, protocolada por vereadores da bancada do PSol, acusa o prefeito de infrações político-administrativas e crimes de responsabilidade por suposta interferência no segundo turno das eleições presidenciais. O colegiado terá até dez dias para emitir um parecer sobre a admissibilidade do processo.
O pedido de impeachment se baseia em duas denúncias principais que teriam ocorrido durante o período eleitoral, conforme apurado por veículos como Metrópoles e CNN Brasil.
A principal acusação é o suposto descumprimento de uma decisão da Justiça Eleitoral que determinava a circulação de 100% da frota de ônibus da capital no domingo do segundo turno. Segundo a denúncia, apenas 71,7% dos coletivos estavam operando no início da tarde, o que teria prejudicado o deslocamento de eleitores, de acordo com informações do portal Metrópoles. A prefeitura alegou que pretendia evitar "gastos desnecessários" e que teve pouco tempo para comunicar a decisão às garagens.
A segunda frente da denúncia aponta para o suposto uso da máquina pública para fins eleitorais. O pedido cita uma reunião em que Nunes teria convocado cerca de 300 servidores comissionados para participarem de atos de campanha de seu aliado, Flávio Bolsonaro. O caso levou o Ministério Público do Trabalho (MPT) a determinar que a prefeitura informasse os servidores sobre proibições relacionadas a assédio eleitoral, o que, segundo a denúncia, só foi feito após a eleição.
A comissão especial é o primeiro passo formal do processo. Sua função é analisar se a denúncia apresentada tem fundamentos jurídicos para prosseguir. A composição e os prazos são definidos pelo regimento interno da Câmara.
O pedido foi protocolado por três vereadores da bancada do PSol: Amanda Paschoal, Celso Giannazi e Silvia da Bancada Feminista, com base em "infrações político-administrativas e crimes de responsabilidade".
A comissão especial instalada na Câmara Municipal de São Paulo tem o prazo de até dez dias, a contar de sua primeira reunião, para emitir um parecer sobre a admissibilidade da denúncia.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que determinou às concessionárias a colocação de 100% da frota de ônibus nas ruas e que a notificação judicial foi repassada às empresas. A gestão municipal ressaltou que eventual descumprimento por parte das concessionárias resultará em processo para aplicação de multa contratual.
A criação da comissão especial formaliza o início da análise do pedido de impeachment contra o prefeito Ricardo Nunes. As acusações focam em supostas irregularidades durante o processo eleitoral. No entanto, o futuro da denúncia dependerá do parecer do colegiado, que possui maioria de vereadores aliados ao prefeito, indicando uma alta probabilidade de arquivamento.
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