Quatro décadas após sua histórica coroação em 1986, Deise Nunes reflete sobre seu legado, os desafios do preconceito e a evolução dos concursos de beleza. Relembre a trajetória da primeira mulher negra a vencer o Miss Brasil.
Olyvio Marques
Editor · Cultura · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 17 de maio de 2026. Em 17 de maio de 1986, a gaúcha Deise Nunes, então com 18 anos, entrou para a história ao se tornar a primeira mulher negra a ser coroada Miss Brasil. Quarenta anos depois, sua vitória continua sendo um marco fundamental na representatividade e um símbolo da diversidade brasileira, como destaca a CNN Brasil. A conquista, que ela mesma define com a frase "meu sobrenome é Miss Brasil", ultrapassou as passarelas e consolidou um legado de inspiração e questionamento.
A trajetória de Deise Nunes até a coroa nacional foi marcada por desafios e quebras de paradigmas. Representando a cidade de Canela (RS), após não obter apoio em sua cidade natal, Porto Alegre, ela foi a única candidata negra na edição de 1986 do concurso, que era promovido pelo SBT e apresentado por Silvio Santos, segundo o portal Ilton Muller. Vinda de uma família humilde, Deise precisou de parcerias para conseguir o vestuário necessário, com sua mãe assinando termos de responsabilidade pelas peças, conforme relatou à Rádio Itatiaia.
A dimensão política e social de sua vitória, no entanto, não foi imediata. Deise conta que só percebeu a responsabilidade que carregava dias depois, ao ler as reportagens em jornais e revistas da época. "Eu pensei: meu Deus, quanta responsabilidade", afirmou em entrevista ao Correio do Povo.
Apesar do marco histórico, a representatividade nos concursos de beleza avançou lentamente. Em 72 anos de Miss Brasil, apenas outras duas mulheres negras conquistaram o título nacional: Raíssa Santana (2016) e Monalysa Alcântara (2017), de acordo com levantamento da Rádio Itatiaia. Deise se mantém como uma voz ativa, apontando que o racismo segue presente na sociedade.
Ao analisar os concursos atuais, ela reconhece avanços, como a permissão para mulheres casadas, mães e trans participarem do Miss Universo. Contudo, faz uma ressalva importante: "Essa inclusão, na verdade, acontece quando a diversidade vence", disse ao Correio do Povo, criticando a diferença entre permitir a participação e dar chances reais de vitória a perfis não tradicionais.
Hoje diretora de uma escola de modelos em Porto Alegre, Deise Nunes alerta para a crueldade das redes sociais com as novas candidatas. Ela enfatiza a necessidade do preparo psicológico para lidar com críticas que, muitas vezes, "são para arrasar com a candidata". Para ela, o suporte emocional é tão crucial quanto as aulas de passarela e oratória.
Deise Nunes foi coroada Miss Brasil em 17 de maio de 1986, aos 18 anos, em concurso realizado em São Paulo e transmitido pelo SBT.
No Miss Universo de 1986, realizado no Panamá, Deise Nunes ficou em sexto lugar. Ela também conquistou o prêmio de segundo melhor traje típico da competição, conforme apurado pela Rádio Itatiaia.
Até hoje, três mulheres negras venceram o Miss Brasil: Deise Nunes (1986), Raíssa Santana (2016) e Monalysa Alcântara (2017).
Quarenta anos depois, o reinado de Deise Nunes transcende a faixa e a coroa. Sua trajetória não apenas abriu portas, mas também estabeleceu um padrão de engajamento e consciência crítica. Ao celebrar a data, Deise reafirma seu lugar na história não apenas como um ícone de beleza, mas como uma força de mudança e inspiração contínua para novas gerações.
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