O escritor gaúcho Gilberto Schwartsmann explora o sofrimento humano no livro 'Fiódor', um monólogo narrado pela alma do autor de 'Crime e Castigo'. Saiba mais.
Olyvio Marques
Editor · Cultura · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O médico, escritor e bibliófilo brasileiro Gilberto Schwartsmann lança o livro Fiódor, no qual encarna o espírito de Fiódor Dostoiévski para refletir sobre o sofrimento humano e a "alma russa". Publicada pela editora Sulina, a obra se apresenta como um monólogo narrado pela própria alma do autor de Crime e Castigo. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Gilberto Schwartsmann é uma proeminente figura no cenário cultural e acadêmico brasileiro. Médico e Professor Emérito da UFRGS, é também Membro Titular da Academia Nacional de Medicina e da Academia Rio-Grandense de Letras, conforme suas credenciais listadas em diversas publicações. Sua paixão pela literatura o levou a se tornar um notório bibliófilo, colecionando obras raras desde a adolescência e presidindo instituições como a Bienal do Mercosul e a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa).
Em Fiódor, Schwartsmann dá voz ao próprio escritor russo, criando um monólogo que percorre sua vida e obra, de Gente Pobre a Os Irmãos Karamázov. A ideia de incorporar o autor surgiu de uma fascinação que começou na adolescência, com a leitura de obras como O Duplo e Noites Brancas, segundo entrevista à revista Veja.
O livro explora as angústias e questionamentos que marcaram tanto a vida de Dostoiévski — que chegou a ser condenado à morte — quanto seus personagens. "Os meus personagens são angustiados, questionam o mundo em que vivem, querem saber quem eles próprios são", narra o "espírito" no livro. A obra defende a importância de encarar a dor, afirmando que "uma sociedade que nega ou foge do sofrimento desaprende a lidar com a realidade".
O conceito de "alma russa" (Russkaya dusha) é central tanto no livro quanto em uma exposição homônima organizada por Schwartsmann no Theatro São Pedro, em Porto Alegre. A mostra, realizada em colaboração com a Feira do Livro, reúne cerca de 300 livros raros do acervo do escritor, incluindo obras de Púchkin, Gógol, Tolstói e Tchekhov, além de fotografias históricas. Segundo Schwartsmann, a "alma russa" é forjada pelo sofrimento, pela espiritualidade e por um destino histórico distinto do resto da Europa Ocidental, temas que Dostoiévski explorou com profundidade em sua obra.
O tema principal de Fiódor é uma reflexão sobre o sofrimento humano, a fé e a condição existencial a partir da perspectiva da alma de Fiódor Dostoiévski. O livro se apresenta como um monólogo do escritor russo.
Fiódor Dostoiévski (1821–1881) foi um dos maiores escritores da literatura russa e mundial. É autor de clássicos como Crime e Castigo, Os Irmãos Karamázov e O Idiota, obras que mergulham na psicologia humana e em questões filosóficas e religiosas.
No contexto da obra de Schwartsmann e dos autores russos, a "alma russa" é um conceito que descreve um sentimento profundo e reflexivo, marcado pelo sofrimento, pela espiritualidade e por uma visão trágica da vida, forjado pela história e geografia únicas da Rússia.
Com Fiódor, Gilberto Schwartsmann não apenas homenageia um dos pilares da literatura universal, mas também oferece uma lente contemporânea para as questões atemporais de Dostoiévski. A obra convida o leitor a um diálogo direto com o legado do autor russo, reafirmando a relevância de suas reflexões sobre a dor e o propósito da vida.
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