Instituição financeira é suspeita de usar fundos de investimento para maquiar balanços; Banco Central notificou a Polícia Federal sobre o caso.
Olyvio Marques
Redação PULSE NEWS BRASIL · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O Banco Digimais, instituição financeira controlada pelo bispo Edir Macedo, é alvo de uma investigação da Polícia Federal por suspeitas de maquiagem de balanço, gestão temerária e fraude financeira. A apuração foi iniciada após uma notificação do Banco Central, que apontou indícios de irregularidades nas operações do banco.
Segundo as investigações, o eventual impacto de uma quebra da instituição no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) pode chegar a R$ 12 bilhões, conforme apuração do portal CartaCapital. Outras estimativas apontam para um rombo de R$ 8,5 bilhões e um patrimônio líquido negativo.
A principal suspeita é de que o Digimais utilizou uma manobra conhecida no mercado como "operação Zé com Zé". A instituição teria vendido carteiras de crédito com alta inadimplência para fundos de investimento nos quais o próprio banco era um dos principais cotistas. Com isso, os créditos vencidos deixavam de aparecer no balanço oficial, melhorando artificialmente os resultados.
Documentos revelados pela imprensa indicam que a prática teria permitido ao banco declarar um lucro de R$ 31 milhões no final de 2025, quando, na verdade, deveria ter registrado perdas de pelo menos R$ 480 milhões em créditos problemáticos. Auditores também relataram dificuldades em verificar cerca de R$ 3 bilhões em investimentos do banco em fundos por falta de acesso a documentos.
Além da maquiagem contábil, o banco enfrenta acusações de fraude em sua carteira de crédito consignado. Uma auditoria realizada pelo fundo EXP1, que adquiriu 55 mil contratos do Digimais, revelou que 22 mil deles (quase 40%) não tinham lastro, ou seja, eram fictícios. Segundo reportagem da Gazeta Mercantil, o próprio banco teria confirmado a irregularidade ao tentar substituir os contratos fraudulentos.
Em meio à crise, o Digimais está em negociação para ser vendido ao banco BTG Pactual. A operação, que ainda depende de um leilão competitivo, pode envolver o uso de mecanismos de suporte financeiro do FGC, o que tem gerado discussões no mercado sobre uma possível socialização de prejuízos.
Em nota enviada à CartaCapital, o Digimais afirmou que as alegações são "inverídicas, distorcidas e desprovidas de qualquer comprovação material documental". A instituição declarou ainda que suas operações "são pautadas pela mais estrita legalidade, legitimidade, transparência e em total conformidade com os órgãos reguladores".