Medida, que entrou em vigor em janeiro, estabelece cota de 1,1 milhão de toneladas; volume excedente terá tarifa total de 67%.
Olyvio Marques
Editor · Economia · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O governo da China confirmou a aplicação de novas regras para a importação de carne bovina, impondo uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil e uma sobretaxa de 55% sobre o volume excedente. A medida, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026, visa proteger a produção local chinesa e pode gerar perdas de até US$ 3 bilhões para os exportadores brasileiros, segundo estimativas do setor.
A decisão chinesa, classificada como uma "medida de salvaguarda", estabelece que as importações de carne bovina brasileira dentro do limite de 1,1 milhão de toneladas anuais continuarão pagando a tarifa padrão de 12%. No entanto, qualquer volume que ultrapasse essa cota será taxado com um adicional de 55%, elevando a tarifa total para 67% e tornando a exportação do excedente economicamente inviável. As regras terão validade de três anos, até 31 de dezembro de 2028.
A China é o principal destino da carne bovina brasileira, respondendo por quase metade das vendas externas do país. Em 2025, o Brasil exportou cerca de 1,7 milhão de toneladas para o mercado chinês, um volume significativamente superior à nova cota. Com a restrição, frigoríficos avaliam um corte de até 35% na produção destinada à China. A expectativa é que a cota para 2026 seja atingida antes do fim do ano, possivelmente entre junho e setembro, devido a uma aceleração dos embarques no início do ano para antecipar a sobretaxa.
O governo brasileiro, em coordenação com o setor privado, busca negociar com as autoridades chinesas para mitigar os impactos. Uma das propostas é que as cerca de 350 mil toneladas de carne que já estavam em trânsito no final de 2025 não sejam contabilizadas na cota de 2026. Outra alternativa em estudo é a transferência de cotas não utilizadas por outros países para o Brasil. O acionamento da Organização Mundial do Comércio (OMC) não está descartado. Enquanto isso, a indústria busca diversificar mercados, com foco em destinos como Japão, Coreia do Sul e Indonésia.
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