Pequim afirma que 'não há vencedores' em guerras comerciais e propõe união com o Sul Global para defender o sistema multilateral de comércio, centrado na OMC.
Olyvio Marques
Editor · Economia · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O governo da China afirmou que "não há vencedores em uma guerra tarifária" e se declarou pronto para "trabalhar com o Brasil" em resposta à nova sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A declaração foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, em 17 de julho de 2026, posicionando Pequim como defensora do comércio multilateral.
Durante uma coletiva de imprensa, Lin Jian enfatizou que as guerras tarifárias não atendem aos interesses de ninguém. Segundo o porta-voz, a China está disposta a incrementar o diálogo com o Brasil e outros países para salvaguardar o sistema multilateral de comércio, que tem a Organização Mundial do Comércio (OMC) como seu núcleo, e defender a justiça e a equidade internacionais.
A oferta de Pequim foi direcionada não apenas ao Brasil, mas também a outras nações do Sul Global, como uma resposta direta à medida unilateral de Washington, classificada como "lamentável" pelo governo chinês.
A decisão dos EUA, anunciada em 15 de julho de 2026, de aplicar tarifas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho, ocorreu após o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) encerrar uma investigação sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil. O representante Jamieson Greer justificou a medida como necessária para "proteger os interesses econômicos do país".
Em resposta, o chanceler brasileiro Mauro Vieira criticou duramente as exigências de Washington, afirmando que o governo americano pedia uma "abertura total, irrestrita e exclusiva" de setores da economia brasileira. "Em outras palavras, exigiam a capitulação", resumiu Vieira.
O porta-voz chinês Lin Jian afirmou que "não há vencedores em uma guerra tarifária" e que a China está pronta para "incrementar o diálogo e trabalhar com o Brasil e outros países para salvaguardar conjuntamente o sistema multilateral de comércio, tendo a Organização Mundial do Comércio (OMC) como núcleo".
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, considerou as exigências americanas como um pedido de "capitulação", rejeitando a demanda por uma "abertura total, irrestrita e exclusiva" de setores da economia brasileira para empresas dos EUA.
O representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que a decisão busca "proteger os interesses econômicos do país e garantir condições justas de concorrência para empresas e trabalhadores norte-americanos", após uma investigação sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil.
A resposta da China ao tarifaço dos EUA contra o Brasil sinaliza um fortalecimento da aliança estratégica no âmbito do Sul Global. Ao se posicionar como defensora das regras multilaterais de comércio, Pequim oferece ao Brasil uma alternativa diplomática e econômica diante das pressões unilaterais de Washington, reforçando a disputa geopolítica entre as duas maiores economias do mundo.
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