As políticas de ajuste fiscal de Javier Milei, a 'motosserra', impactaram as exportações brasileiras, principalmente no setor automotivo. Entenda os números.
Olyvio Marques
Editor · Economia · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A China ultrapassou o Brasil e se tornou o principal fornecedor de produtos para a Argentina no primeiro semestre de 2026, um reflexo direto das políticas de ajuste fiscal do presidente Javier Milei. Atualizado em 23 de julho de 2026. Segundo dados do Indec, instituto de estatísticas argentino, as importações de produtos chineses somaram US$ 7,98 bilhões, superando os US$ 7,65 bilhões comprados do Brasil.
A política econômica de Javier Milei, apelidada de "motosserra", envolveu a retirada de subsídios em áreas como energia, gás e transporte público. Essa medida, conforme aponta a análise do mercado, aumentou o custo de vida e apertou o orçamento das famílias argentinas, que passaram a adiar a compra de bens de consumo, afetando diretamente as exportações brasileiras.
Entre janeiro e junho de 2026, a China representou 22,5% das importações totais da Argentina, enquanto o Brasil ficou com 21,5%. A diferença de US$ 333 milhões a favor dos chineses marca a primeira vez que o Brasil perde a liderança desde a recuperação do comércio bilateral, de acordo com dados do Indec divulgados pela imprensa.
O segmento automotivo, pilar do comércio entre Brasil e Argentina, foi o mais afetado pela mudança. A participação dos veículos brasileiros nas importações argentinas despencou de 82% para 56% em apenas um ano, segundo dados da associação de montadoras Anfavea. No mesmo período, as exportações de veículos do Brasil para o país vizinho caíram 35,4%, totalizando 106 mil unidades.
Enquanto as vendas de carros brasileiros caíram, a China avançou com veículos híbridos e elétricos, beneficiada por cotas de importação com imposto zero para até 50 mil unidades. Hoje, um em cada cinco carros importados pela Argentina vem da China. No setor de autopeças, a participação brasileira caiu de 33,9% para 28,2% em dois anos, enquanto a fatia chinesa saltou de 8,8% para 15,3%, segundo a associação argentina Afac.
A mudança ocorreu devido à combinação de dois fatores: a redução do poder de compra na Argentina, causada pelos cortes de subsídios de Javier Milei que afetaram a demanda por produtos brasileiros, e a ofensiva comercial da China, especialmente com veículos elétricos e autopeças mais competitivos.
O principal impacto é a queda nas exportações. Os embarques de veículos do Brasil para a Argentina recuaram 35,4% no primeiro semestre de 2026. A parcela da produção nacional de veículos destinada à exportação está entre as mais baixas dos últimos nove anos, de acordo com a Anfavea.
As reformas econômicas na Argentina reconfiguraram o cenário comercial sul-americano. A "motosserra" de Milei, ao mesmo tempo que busca o ajuste fiscal, abriu espaço para um avanço significativo da China, desafiando a posição histórica do Brasil como principal parceiro comercial do país vizinho, com consequências diretas para a indústria nacional.
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