O iminente esgotamento da cota de exportação para a China acende alerta no setor. Presidente da Abiec prevê queda nos embarques e pressão sobre o preço do boi gordo. Entenda.
Olyvio Marques
Editor · Economia · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O esgotamento iminente da cota de exportação de carne bovina para a China, principal destino do produto brasileiro, acendeu um sinal de alerta na indústria. Segundo Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o setor "não tem para onde enviar todo esse volume de carne", o que deve gerar reflexos diretos no mercado do boi gordo. Atualizado em 22 de junho de 2026.
No início de 2026, a China instituiu um sistema de cotas para a importação de carne bovina, visando fortalecer sua pecuária local. Para o Brasil, foi estabelecido um limite de 1,1 milhão de toneladas com uma tarifa de 12%. Conforme dados do governo chinês e da Abiec, o ritmo acelerado dos embarques no início do ano indica que essa cota deve ser totalmente preenchida entre o final de maio e julho (CompreRural, Globo Rural, Diário da Região).
Após atingir o limite, qualquer volume excedente exportado pelo Brasil sofrerá uma sobretaxa, elevando o imposto para 55%. Essa nova alíquota torna a operação economicamente inviável para os frigoríficos, forçando uma interrupção dos embarques destinados especificamente ao mercado chinês (Agrolink).
A paralisação dos envios para o maior comprador global de carne brasileira traz consequências diretas para a cadeia produtiva nacional.
Com a redução da demanda externa, a tendência é que os frigoríficos diminuam o ritmo de compras de animais para abate. Esse movimento já pressiona os preços da arroba do boi gordo, impactando diretamente a rentabilidade dos pecuaristas (CompreRural, Diário da Região).
A principal alternativa, segundo Perosa, é redirecionar o excedente de carne para o mercado interno. No entanto, o setor enfrenta o desafio da capacidade de consumo da população, especialmente entre famílias de menor renda (CompreRural). Se o volume não for absorvido internamente ou por outros países, a Abiec projeta uma queda de até 10% nas exportações totais de carne bovina em 2026 (Agrolink).
Diante da dependência do mercado chinês, a Abiec e o governo brasileiro intensificam a busca por diversificação. Países como Japão, Coreia do Sul e Turquia estão no radar como potenciais compradores, com as negociações com o mercado japonês sendo as mais avançadas (CompreRural, Globo Rural). Apesar dos esforços, Roberto Perosa ressaltou que, no momento, "não há mercado que substitua a China" em termos de volume (Agrolink).
O governo brasileiro também tenta negociar com Pequim a realocação de volumes de cotas não preenchidos por outros países, mas as autoridades chinesas indicaram que não analisarão o pedido por enquanto (Globo Rural).
As estimativas da Abiec e de analistas do setor, como o Cepea, apontam que a cota de 1,1 milhão de toneladas será totalmente preenchida entre o final de maio e julho de 2026 (CompreRural, Diário da Região).
Após o esgotamento da cota, uma sobretaxa será aplicada sobre o volume excedente, elevando o imposto de importação de 12% para 55%, o que inviabiliza economicamente as vendas (Agrolink).
Não. O mercado e a Abiec consideram a medida como definitiva para o período de vigência estipulado (2026-2028). O Brasil, no entanto, continua buscando flexibilizações junto ao governo chinês (Globo Rural).
O fim da cota chinesa representa um desafio significativo para a pecuária de corte brasileira, evidenciando a alta dependência de um único mercado. A pressão sobre os preços do boi gordo e a necessidade de escoar a produção internamente devem marcar o segundo semestre de 2026. A longo prazo, a estratégia do setor se concentra na diversificação de destinos para mitigar riscos e garantir a competitividade da carne brasileira no cenário global.
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