Com dólar a R$ 5,60 e bolsa em queda de 17%, Fazenda anuncia compra de títulos pelo Tesouro. Ação coordenada com o BC busca dar 'racionalidade' ao mercado.
Olyvio Marques
Editor · Economia · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 26 de outubro de 2026. Em resposta à forte turbulência no mercado financeiro após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo federal anunciou uma intervenção coordenada para estabilizar os ativos brasileiros. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou que o Tesouro Nacional atuará na compra de títulos públicos para garantir liquidez, em uma ação alinhada com o Banco Central.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que o Tesouro Nacional intervirá no mercado de títulos públicos por meio da recompra de papéis. Segundo fontes, o Tesouro já recomprou R$ 7,1 bilhões em títulos para ajudar a normalizar as negociações. A medida foi comunicada ao presidente Lula e é coordenada com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, conforme noticiado pelo jornal O Globo.
Durigan enfatizou que o objetivo não é controlar os preços, mas restabelecer a ordem e a liquidez. "Nós precisamos ter alguma racionalidade. Eu não estou falando de controle de preço, estou falando de alguma racionalidade. O Tesouro vai intervir agora para dar racionalidade, para dar liquidez", afirmou o ministro.
A atuação é feita de forma conjunta para evitar que a intervenção nos títulos públicos pressione ainda mais a cotação do dólar. "O Banco Central está avaliando (atuação no câmbio), junto conosco para que a gente não faça uma intervenção nos juros, no título do Tesouro, e acabe pesando desproporcionalmente no câmbio", explicou Durigan em entrevista.
O primeiro dia de negociações após a confirmação da vitória de Lula foi marcado por extrema volatilidade. A reação negativa de parte dos investidores gerou um movimento de forte desvalorização dos ativos brasileiros.
O dólar comercial chegou a subir 12,2%, atingindo a máxima de R$ 5,60. A variação intradiária superou a registrada em janeiro de 1999, quando o Brasil adotou o regime de câmbio flutuante. A forte oscilação provocou a interrupção das negociações por diversas vezes ao longo do dia.
Na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), o Ibovespa, principal índice do mercado, caiu mais de 10% na abertura, o que acionou o mecanismo de circuit breaker — uma suspensão temporária das negociações. Após a retomada, as perdas se aprofundaram, chegando a 17%.
Além da intervenção emergencial, o ministro Dario Durigan sinalizou que o governo reforçará o compromisso com a estabilidade das contas públicas. Entre as medidas citadas estão:
"Nós vamos adotar as medidas necessárias para estabilizar a situação financeira do país, inclusive dívida, juros, câmbio a médio e longo prazo", declarou o ministro.
É a recompra de títulos da dívida pública pelo próprio Tesouro Nacional. Essa ação injeta dinheiro no sistema, aumentando a liquidez e garantindo que investidores consigam negociar seus papéis, o que ajuda a estabilizar o mercado em momentos de estresse.
A alta reflete a aversão ao risco de parte dos investidores, que reagem às incertezas sobre a futura política econômica e fiscal do governo reeleito. Em cenários de instabilidade, investidores tendem a vender ativos locais e comprar moedas fortes, como o dólar, como forma de proteção.
A ação coordenada entre o Ministério da Fazenda e o Banco Central busca conter a volatilidade de curto prazo, garantindo o funcionamento do mercado. Ao mesmo tempo, o governo sinaliza um compromisso com a disciplina fiscal para acalmar as expectativas e estabilizar a economia a médio e longo prazo.
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