Ajuste econômico do governo Milei e concorrência da China derrubam vendas do Brasil para a Argentina. Entenda o impacto no setor automotivo e na balança comercial.
Olyvio Marques
Editor · Economia · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
As exportações brasileiras para a Argentina registraram uma queda de 18,1% nos últimos 12 meses, impactadas diretamente pelo choque econômico implementado pelo governo de Javier Milei. Atualizado em 29 de julho de 2026, o cenário mostra que, embora o país vizinho continue sendo o terceiro maior comprador de produtos do Brasil, a nova política econômica reduziu o poder de compra e abriu espaço para a China. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
A política de ajuste fiscal na Argentina, que retirou subsídios de serviços como luz, gás e transporte, apertou o orçamento das famílias e adiou a compra de bens de consumo, muitos deles importados do Brasil. Conforme os dados do MDIC, as exportações para o país vizinho em junho totalizaram US$ 1,3 bilhão, uma redução significativa em comparação com o US$ 1,6 bilhão do mesmo mês no ano anterior. Com isso, a participação da Argentina nas exportações totais do Brasil caiu de 5,6% para 3,7% em um ano.
A indústria automotiva, principal pilar do comércio bilateral, foi a mais afetada. De janeiro a junho, os embarques de veículos do Brasil para a Argentina recuaram 35,4%, somando 106 mil unidades. Em um ano, a participação dos carros brasileiros no total importado pela Argentina despencou de 82% para 56%, segundo dados da associação de montadoras Anfavea. A queda é agravada por dois fatores:
O resultado direto dessa nova dinâmica é a perda de liderança do Brasil no mercado argentino. No primeiro semestre de 2026, a Argentina comprou US$ 7,98 bilhões da China, enquanto as importações do Brasil somaram US$ 7,65 bilhões. A diferença de US$ 333 milhões a favor dos produtos chineses marca uma mudança significativa na balança comercial do país vizinho, que agora tem Pequim como sua principal fornecedora.
A queda de 18,1% é resultado de uma combinação de fatores: o ajuste fiscal do governo Milei, que reduziu o poder de compra da população argentina, e o aumento da concorrência com produtos da China, especialmente no setor automotivo, que ganhou espaço com incentivos fiscais para veículos elétricos.
O setor automotivo, que inclui veículos e autopeças, foi o mais impactado. Historicamente, é o principal item da pauta de exportações brasileiras para a Argentina, mas viu sua participação no mercado local diminuir drasticamente.
Sim. No primeiro semestre de 2026, a China superou o Brasil como a principal origem das importações argentinas, consolidando uma nova configuração no comércio exterior do país.
A queda nas exportações para a Argentina reflete um cenário complexo, que vai além das tensões diplomáticas entre os governos. A crise econômica interna argentina, somada a uma estratégia comercial mais aberta à China e aos Estados Unidos, impõe ao Brasil o desafio de se adaptar a um de seus mercados mais tradicionais, agora mais competitivo e com novas regras.
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