Quatro anos após a falência do Grupo Itapemirim, a disputa por linhas milionárias continua enquanto ex-funcionários enfrentam incertezas. Entenda o andamento.
Olyvio Marques
Editor · Economia · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 26 de setembro de 2026. Quatro anos após a decretação oficial da falência do Grupo Itapemirim, em 21 de setembro de 2022, a história de uma das maiores empresas de transporte do Brasil segue marcada por um contraste profundo: de um lado, uma complexa disputa judicial por ativos milionários; de outro, milhares de ex-funcionários e suas famílias que ainda aguardam o pagamento integral de seus direitos trabalhistas.
Enquanto a briga pela operação das antigas linhas de ônibus movimenta propostas milionárias de gigantes do setor, os pagamentos aos credores trabalhistas começaram a avançar lentamente, mas o alcance ainda é limitado e a espera, para muitos, já dura mais tempo que os quatro anos da quebra, somando-se ao período da recuperação judicial iniciada em 2016.
A falência do Grupo Itapemirim revela uma diferença crucial entre o "tempo dos negócios" e o "tempo das pessoas". Para as empresas que disputam as 125 linhas e 746 mercados interestaduais, o processo envolve estratégias, recursos e investimentos futuros. Para os trabalhadores, no entanto, a espera tem consequências diretas no cotidiano: contas que não pausam, tratamentos de saúde, e a necessidade de reorganizar a vida após anos de dedicação à companhia. Conforme apurado pelo Diário do Transporte, os valores devidos não são benefícios, mas obrigações resultantes de relações de emprego que permanecem sem solução definitiva.
Em setembro de 2026, a Justiça começou a movimentar os pagamentos para uma parte dos credores trabalhistas, especificamente os chamados extraconcursais — aqueles cujos créditos surgiram após o pedido de recuperação judicial. Em junho de 2026, a massa falida registrava cerca de R$ 92,29 milhões em depósitos judiciais. Contudo, os créditos trabalhistas concursais (anteriores à recuperação) somam aproximadamente R$ 70,56 milhões e seguem outra etapa do processo. Para levantar fundos, mais de 20 imóveis do antigo grupo foram colocados em leilão, incluindo o complexo operacional em Cachoeiro de Itapemirim (ES), berço da empresa.
Um dos focos da disputa judicial é o arrendamento das linhas que pertenciam à Itapemirim. Inicialmente, a Transportadora Turística Suzano (Suzantur) assumiu a operação em um contrato emergencial, repassando à massa falida 1,5% da receita líquida, com um mínimo de R$ 200 mil mensais. Posteriormente, uma proposta da Viação Águia Branca foi considerada mais vantajosa, com potencial de receita próximo a R$ 3 milhões mensais. A questão chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que em junho de 2026 derrubou a liminar que mantinha a Suzantur, abrindo caminho para um novo arrendamento, embora a disputa continue por meio de recursos.
A falência do Grupo Itapemirim foi decretada em 21 de setembro de 2022 pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, após a empresa estar em recuperação judicial desde março de 2016.
O passivo do grupo é bilionário. Na época da falência, as dívidas com credores (sem contar impostos) eram estimadas em centenas de milhões, enquanto o passivo tributário já ultrapassava R$ 2 bilhões.
A ITA (Itapemirim Transportes Aéreos) foi um braço aéreo do grupo que operou por cerca de seis meses e suspendeu os voos abruptamente em dezembro de 2021. A criação da ITA é investigada por suposto desvio de recursos do grupo de ônibus. Em agosto de 2023, a falência específica da ITA foi suspensa pela Justiça de São Paulo, mas essa decisão não afeta o processo de falência das empresas de ônibus, que continua.
Quatro anos após a falência, o legado do Grupo Itapemirim é uma complexa batalha jurídica com um custo humano significativo. Enquanto o destino de suas valiosas linhas de ônibus é decidido nos tribunais, milhares de famílias de ex-trabalhadores seguem em uma longa e incerta espera por justiça e pelo recebimento de seus direitos, evidenciando que, por trás dos números e processos, existem vidas impactadas pela derrocada de um gigante.
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