Com a redução da jornada de trabalho, empresário Lásaro do Carmo Junior alerta que fechar a loja mais cedo pode custar mais caro do que novas contratações. Saiba como calcular o impacto no seu negócio.
Olyvio Marques
Editor · Economia · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 16 de outubro de 2026. Com o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, o empresário Lásaro do Carmo Junior, ex-vice-presidente do Grupo Silvio Santos, alerta que a decisão de reduzir o horário de funcionamento para economizar com pessoal pode sair cara. "É melhor pagar mais funcionários do que fechar a loja", afirmou ele em entrevista à Exame. A mudança pode elevar a folha de pagamento em pelo menos 10%, mas, segundo Carmo, a perda de receita com a loja fechada pode ser ainda maior.
Para Lásaro do Carmo, o erro de muitos gestores é focar apenas no aumento das despesas trabalhistas, sem considerar o faturamento que deixa de ser gerado. A recomendação é clara: antes de cortar o expediente, o empresário deve comparar o custo de novas contratações com a receita perdida ao reduzir o horário de atendimento. "Quanto custa não vender?", questiona Carmo, conforme publicado pela Exame. A decisão depende do movimento de cada negócio. Uma loja com pico de vendas no início da noite, por exemplo, perderia receita valiosa ao fechar as portas mais cedo.
O primeiro passo, segundo o especialista, é dimensionar a equipe necessária. Ele sugere um cálculo simples: somar as horas de funcionamento do estabelecimento e dividir pela nova jornada semanal de 40 horas. Uma loja de shopping que abre das 10h às 22h, todos os dias, funciona 84 horas por semana. De acordo com a Exame, isso exigiria pelo menos 2,1 jornadas completas para cobrir um único posto de atendimento, sem contar folgas, férias e intervalos. "Antes de você fazer escala, você tem que chegar no número de colaboradores", orienta Carmo.
O impacto da nova legislação não será determinado pelo tamanho da empresa, mas pela sua margem de lucro. "Não é o tamanho do empresário, é a margem que ele trabalha", explica Lásaro do Carmo. Negócios com margens apertadas, como varejo e restaurantes, sentirão mais a pressão. O setor de varejo, que já opera com margens líquidas de 2% em supermercados e de 2% a 4% em farmácias, terá menos espaço para absorver o aumento de custos, segundo especialistas ouvidos pelo Diário do Nordeste. Restaurantes que funcionam do café da manhã ao jantar também enfrentarão grandes desafios para cobrir múltiplos turnos.
O impacto pode chegar a pelo menos 10% da folha de pagamento nas operações afetadas, segundo Lásaro do Carmo Junior. O custo final dependerá do número de funcionários, da jornada atual e da necessidade de cobertura em cada turno.
Varejistas e restaurantes estão entre os mais expostos, pois dependem de equipes por longos períodos, incluindo fins de semana. Conforme aponta a Gazeta do Povo, atividades de operação contínua, como hospitais e algumas indústrias, também enfrentarão grandes desafios de adaptação.
Lásaro do Carmo recomenda uma revisão completa das despesas, renegociação de contratos com fornecedores e otimização do ciclo de caixa. A preparação deve começar antes da nova regra entrar em vigor para evitar a descoberta tardia de que a empresa precisa de mais funcionários, mas não tem margem para contratá-los.
A orientação de Lásaro do Carmo Junior para o fim da escala 6x1 é estratégica: analisar friamente os números. A decisão entre contratar mais pessoal ou reduzir o horário de funcionamento deve ser baseada no impacto real sobre o faturamento. Para negócios com margens apertadas, a preparação, que inclui reorganização de escalas e corte de despesas, é fundamental para sobreviver à transição sem comprometer a receita.
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