Grandes redes como Raia, Drogasil e Savegnago abandonam a jornada de seis dias de trabalho por um. Entenda a mudança para a escala 5x2 e o impacto no varejo.
Olyvio Marques
Editor · Economia · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Grandes redes de supermercados e farmácias no Brasil estão abandonando a escala de trabalho 6x1 e adotando o modelo 5x2, que garante duas folgas semanais aos funcionários. Atualizado em 15 de outubro de 2026, o movimento se antecipa a uma possível mudança na legislação trabalhista e já envolve gigantes como Raia, Drogasil, Drogaria São Paulo, Pacheco e Savegnago, impactando dezenas de milhares de trabalhadores.
A transformação na jornada de trabalho está sendo liderada por algumas das maiores companhias do varejo brasileiro, que buscam atrair e reter talentos, além de melhorar as condições de trabalho. A iniciativa abrange tanto o setor farmacêutico quanto o de supermercados.
O setor de farmácias concentra algumas das maiores implementações da nova escala. A RD Saúde, dona das redes Raia e Drogasil, implantou o modelo 5x2 em suas mais de 3.500 unidades no país. O Grupo DPSP, responsável pela Drogaria São Paulo e Drogarias Pacheco, também substituiu a escala 6x1, beneficiando cerca de 24 mil funcionários em aproximadamente 1.650 estabelecimentos, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Entre os supermercados, a rede Savegnago ampliou a escala 5x2 para todas as suas lojas após um projeto-piloto bem-sucedido. A mudança resultou em um aumento de 120% na procura por vagas de emprego na empresa. Outras redes como Supernosso, Extrabom, Coop e Pague Menos também iniciaram a transição, seja em projetos-piloto ou de forma gradual em suas unidades.
A dificuldade para encontrar e manter funcionários tornou a jornada de trabalho um fator estratégico para o varejo. Com a escala 6x1, que exige trabalho em seis dias consecutivos para apenas uma folga, muitas empresas enfrentam alta rotatividade e problemas para preencher vagas, especialmente as que incluem fins de semana e feriados. Ao oferecer dois dias de descanso, as companhias ganham uma vantagem competitiva na contratação, reduzem faltas e melhoram o engajamento das equipes.
Paralelamente ao movimento das empresas, o Senado Federal pautou a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1 em todo o Brasil. O texto, que já passou pela Câmara dos Deputados, propõe a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem corte de salário. Se aprovada, a mudança será gradual: a jornada cairia primeiro para 42 horas, com direito a duas folgas, e depois para 40 horas, consolidando o modelo 5x2.
Não. Até o momento, a mudança é uma iniciativa voluntária de algumas empresas. A proposta que tornaria a escala 5x2 uma regra geral (PEC 221/2019) ainda está em tramitação no Senado e depende de aprovação em dois turnos para virar lei.
A escala 5x2 é um modelo de jornada de trabalho em que o funcionário trabalha por cinco dias e tem direito a duas folgas na semana. Essas folgas podem ser consecutivas ou distribuídas ao longo da semana, dependendo do acordo com a empresa.
Nas empresas que já adotaram o modelo, a carga horária semanal de 44 horas foi mantida na maioria dos casos. A principal alteração foi a redistribuição dessas horas em cinco dias de trabalho. A proposta legislativa em discussão no Senado, no entanto, prevê a redução da jornada para 40 horas semanais.
A decisão de grandes redes de supermercados e farmácias de abandonar a escala 6x1 representa uma transformação significativa nas relações de trabalho do varejo brasileiro. Impulsionadas pela necessidade de reter talentos e pela pressão social, as empresas se antecipam a uma provável mudança na legislação, sinalizando uma tendência de busca por maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal para milhões de trabalhadores.
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