Crianças em todo o Brasil estão aprendendo sobre negócios ao criar galinhas e vender ovos. Veja como a iniciativa ensina sobre finanças e responsabilidade.
Olyvio Marques
Editor · Economia · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Histórias de crianças que transformaram a criação de galinhas em um pequeno negócio se espalham pelo Brasil, mostrando como o empreendedorismo pode começar cedo. Em Piracicaba (SP), Palmas (TO) e Gaspar (SC), meninos como Gustavo, Davi e José Pedro estão aprendendo na prática sobre finanças, responsabilidade e gestão ao venderem os ovos de suas próprias aves. Atualizado em 22 de junho de 2026.
As razões para começar são variadas, mas frequentemente nascem de uma necessidade ou de um incentivo familiar. Para José Pedro Pereira, de Gaspar (SC), a ideia surgiu aos seis anos, quando sua família enfrentou dificuldades financeiras que ameaçavam sua permanência na escola particular. Com a ajuda da avó, ele começou a vender ovos para pagar a mensalidade, transformando um problema em uma solução de negócio, segundo reportagem do portal Seu Dinheiro.
Já para Davi Luís Alves, de 11 anos, em Palmas (TO), a iniciativa partiu do pai como uma forma de ensinar o valor do trabalho e do dinheiro. A família fez o investimento inicial na granja e Davi precisou "pagar" o custo antes de começar a lucrar, uma lição prática de educação financeira, conforme relatado pelo G1.
O que muitas vezes começa como um hobby rapidamente ganha escala. Gustavo José Mandro, de 8 anos, em Piracicaba (SP), ganhou sua primeira galinha aos dois anos. Hoje, ele comanda um plantel de cerca de 80 aves de 23 raças diferentes. De acordo com a Agência Sebrae de Notícias, ele reinveste o lucro na compra de novas aves, ração e melhorias para o galinheiro.
Esse padrão de reinvestimento é um pilar do sucesso desses jovens. Davi, por exemplo, após quitar o "empréstimo" familiar, usa o dinheiro das vendas para comprar mais ração e já planeja expandir sua criação de 25 para mais de 100 galinhas. A divulgação também é moderna: sua mãe posta vídeos no Instagram, atraindo clientes de fora do círculo de conhecidos.
Mais do que a renda, a experiência ensina habilidades valiosas. Os meninos aprendem a negociar, gerenciar estoque e atender clientes, que muitas vezes incluem professores e até a diretora da escola, como no caso de Gustavo. Ele já tem planos de carreira definidos: quer ser engenheiro agrônomo e estudar na Esalq, uma das mais prestigiadas universidades da área.
A responsabilidade social também aparece. Davi usou parte de seu lucro para participar de uma ação solidária na escola, doando leite para crianças carentes. A atitude, segundo a diretora da instituição, inspira outros alunos e ajuda a formar adultos mais equilibrados financeiramente.
Geralmente, a iniciativa surge com um incentivo familiar, como ganhar a primeira galinha, ou para ajudar em despesas específicas, como pagar a mensalidade da escola. O negócio costuma começar pequeno, com vendas para vizinhos e parentes, e cresce com o tempo.
A maior parte do lucro é reinvestida no próprio negócio, para comprar ração, novas aves e melhorar a estrutura dos galinheiros. Outros usam para objetivos específicos, como pagar estudos, ou aprendem a poupar.
A família é fundamental, oferecendo apoio logístico, ensinando sobre finanças, ajudando na divulgação e garantindo que a atividade não atrapalhe os estudos e as brincadeiras, que continuam sendo prioridade na rotina das crianças.
As histórias de Gustavo, Davi e José Pedro mostram que o empreendedorismo não tem idade. Ao criar galinhas e vender ovos, eles não estão apenas ganhando dinheiro, mas adquirindo conhecimento prático sobre gestão, finanças e responsabilidade. Essas iniciativas, apoiadas pela família, são uma poderosa ferramenta de educação para a vida.
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