Conheça Monte Sião, a cidade mineira de 24 mil habitantes que se tornou um polo têxtil global, abastecendo o Brasil e grifes de Paris e Milão.
Olyvio Marques
Editor · Economia · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 22 de junho de 2026. Localizada no sul de Minas Gerais, a cidade de Monte Sião, com pouco mais de 24 mil habitantes, consolidou-se como a "Capital Nacional da Moda Tricô" ao atingir a impressionante marca de aproximadamente 3 milhões de peças produzidas mensalmente. O volume expressivo não apenas abastece o mercado brasileiro, mas também cruza fronteiras, chegando a grifes internacionais na Europa e nos Estados Unidos.
A indústria do tricô é o principal motor econômico de Monte Sião. A cidade abriga mais de 1.500 empresas do setor, entre pequenas indústrias e lojas, que geram cerca de 10 mil empregos diretos. Segundo dados da prefeitura, a atividade das malharias corresponde a cerca de 90% da arrecadação e do PIB do município, demonstrando a profunda dependência e especialização da economia local.
A história do tricô em Monte Sião começou de forma artesanal entre as décadas de 1960 e 1970, impulsionada por famílias de imigrantes italianos que complementavam a renda com a venda de peças. A produção ganhou escala industrial a partir dos anos 1980, com a chegada de maquinário moderno e o aumento do turismo na região, conhecida como "Circuito das Malhas".
A grande virada ocorreu no início dos anos 2000. Para superar a saturação do mercado, empresários locais passaram a investir em design, qualidade e a acompanhar diretamente as tendências de moda em capitais como Paris e Milão. Essa reestruturação permitiu que muitas empresas começassem a produzir em regime de private label, desenvolvendo coleções exclusivas para grandes marcas nacionais e internacionais.
Um exemplo é a empresária Andrea Magioli, da Zezé Tricot, que começou a tricotar manualmente aos cinco anos e hoje exporta suas criações para países como Espanha e para cidades como Washington e Nova York, nos Estados Unidos.
Monte Sião recebeu o título devido à sua alta concentração de malharias (mais de 1.500), à produção massiva de cerca de 3 milhões de peças por mês e à sua relevância histórica e econômica para o setor têxtil no Brasil. O reconhecimento foi oficializado pela Lei 14.699/23.
Sim. Embora o principal mercado seja o nacional, diversas confecções em Monte Sião produzem para grifes internacionais e exportam diretamente para mercados na Europa e nos Estados Unidos, adaptando suas coleções às tendências globais.
O maior fluxo de turistas e compradores ocorre durante as estações de outono e inverno, quando a procura por tricô aumenta em até 30%. Eventos como a Feira Nacional do Tricô (FENAT) também atraem milhares de visitantes.
Monte Sião é um exemplo notável de como uma cidade pode transformar uma tradição local em um negócio de escala global. Aliando o conhecimento artesanal à inovação industrial e a uma visão estratégica de mercado, o município mineiro não apenas se firmou como a Capital Nacional do Tricô, mas também colocou suas peças nas vitrines mais exigentes do mundo.
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