A Operação Miragem da Polícia Federal investiga fraudes no banco de Edir Macedo e suspendeu um financiamento crucial do FGC. Saiba como a ação impacta a venda.
Olyvio Marques
Editor · Economia · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal, afastou a possibilidade de um empréstimo de cerca de R$ 6 bilhões que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) estudava conceder para viabilizar a venda do Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo. Atualizado em 12 de agosto de 2026, a investigação apura um suposto esquema de fraudes contábeis para ocultar a real situação financeira da instituição.
A investigação da Polícia Federal, baseada em relatórios do Banco Central, aponta para a manipulação sistemática de balanços e a supervalorização de ativos para aparentar solvência. Segundo a apuração, o objetivo era ocultar a verdadeira situação econômico-financeira do Digimais.
A Justiça Federal autorizou o bloqueio de até R$ 670 milhões em bens e valores dos investigados. Entre as suspeitas, está a superavaliação de um fundo de investimento que, segundo o Banco Central, valeria R$ 71 milhões, mas era registrado nos balanços por R$ 741,3 milhões. Os investigados podem responder por crimes como gestão fraudulenta e inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis.
O empréstimo de R$ 6 bilhões que estava em análise pelo FGC não era para cobrir um rombo, mas sim para financiar a troca de controle e dar sustentação financeira a um potencial comprador. Com a deflagração da Operação Miragem, essa linha de crédito deixou de ser considerada uma alternativa viável, segundo fontes com conhecimento das tratativas.
Apesar do revés, a apuração indica que uma injeção de capital entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões por parte do controlador seria suficiente para sanear o balanço e recolocar o banco em condições de ser vendido. A incógnita é se Edir Macedo decidirá fazer o desembolso.
A operação policial também impactou diretamente as negociações para a venda do Digimais ao banco BTG Pactual, anunciada em abril de 2026. Fontes do mercado afirmam que, após a visita da PF, as chances de o acordo ser concluído são "próximas de zero". O BTG Pactual não comentou o assunto.
O Banco Digimais é controlado integralmente pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, desde 2020. A instituição, fundada em 1981 como Banco Renner, foi reestruturada para atuar como banco digital.
A decisão judicial autorizou o sequestro e bloqueio de bens e valores de até R$ 670.348.945,70 dos investigados na Operação Miragem.
Em nota, o Banco Digimais informou que permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e reafirmou seu "compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes".
A Operação Miragem da Polícia Federal colocou o futuro do Banco Digimais em xeque. Ao expor graves suspeitas de fraude e afastar um financiamento crucial do FGC, a investigação praticamente inviabilizou a venda da instituição para o BTG Pactual, deixando o caminho para a recuperação do banco dependente de uma significativa injeção de capital por parte de seu controlador, Edir Macedo.
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