Entenda a proposta radical de Hélio Zylberstajn para a Previdência Social, que inclui um sistema único, renda básica de R$ 900 aos 70 anos e novas regras para o FGTS.
Olyvio Marques
Editor · Economia · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma proposta de reforma "radical" da Previdência Social, apresentada pelo professor Hélio Zylberstajn, da FEA/USP, sugere a criação de um sistema único com uma renda básica universal de R$ 900 para todos os brasileiros a partir dos 70 anos. O plano visa unificar os regimes existentes e ampliar a cobertura para trabalhadores informais e autônomos. Atualizado em 22 de outubro de 2026.
A proposta foi detalhada durante o 47º Congresso Brasileiro de Previdência Privada (CBPP) e busca responder a três grandes desafios do Brasil: o peso fiscal das aposentadorias, o envelhecimento da população e as mudanças no mercado de trabalho, com a diminuição do emprego formal, conforme apontado por Zylberstajn.
Segundo o diagnóstico apresentado pelo professor, a Previdência consome uma parcela elevada do gasto público, estimada em 12% do Produto Interno Bruto (PIB) e correspondendo à metade de todas as despesas do governo. Além disso, o envelhecimento acelerado da população e a redução do número de trabalhadores com carteira assinada ("temos cada vez menos assalariados") tornam o modelo atual insustentável e excludente, de acordo com as fontes.
A arquitetura do novo sistema se baseia na unificação de todos os regimes atuais — incluindo servidores públicos, militares e trabalhadores do INSS — e é estruturada em quatro pilares. O objetivo, segundo o economista, é "achatar o sistema e alargá-lo", tornando-o mais inclusivo.
A proposta também prevê uma alíquota de contribuição de 8% sobre um "valor-base", paga pelo trabalhador, inferior às praticadas atualmente para incentivar a adesão de autônomos e informais.
O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) seria transformado em um instrumento de poupança de longo prazo. As principais alterações sugeridas são:
Para migrar do sistema atual para o proposto, Zylberstajn sugeriu a criação da Unidade Previdenciária de Valor (UPV), uma espécie de "URV" da previdência. Esse instrumento serviria como referência para converter os direitos já adquiridos pelos trabalhadores e garantir uma transição gradual e segura.
A proposta inclui uma renda básica de R$ 900 para todos os brasileiros a partir dos 70 anos, independentemente de contribuição.
O sistema único englobaria todos os trabalhadores, incluindo servidores públicos, militares, beneficiários do INSS, autônomos, informais, MEIs e PJs.
Não. Trata-se de uma proposta acadêmica apresentada para debate em um congresso especializado, e não uma reforma oficial do governo.
A proposta de Hélio Zylberstajn representa uma reestruturação profunda do sistema previdenciário brasileiro, com foco na inclusão, sustentabilidade fiscal e adaptação às novas realidades do mercado de trabalho. Ao unificar regimes e criar uma rede de proteção básica universal, o plano busca construir um modelo que ele define como mais "justo e inclusivo" para as futuras gerações.
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