Maricarmen Abascal, 87, foi removida de seu apartamento em Madri após o aluguel superar sua aposentadoria. Entenda o caso que gerou protestos e debate.
Olyvio Marques
Editor · Europa · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Maricarmen Abascal, uma idosa de 87 anos, foi despejada do apartamento onde viveu por 70 anos no bairro do Retiro, em Madri, na Espanha. A remoção, ocorrida em 23 de setembro de 2026, foi o clímax de uma longa batalha judicial após o novo proprietário do imóvel aumentar o aluguel para um valor superior à sua aposentadoria. O caso gerou uma onda de protestos e acendeu o debate sobre a crise imobiliária e os direitos humanos no país. Atualizado em 25 de setembro de 2026.
Maricarmen residia no imóvel de 92 m² desde 1956, sob um contrato de "locação antiga" firmado por seu pai, que garantia um aluguel de cerca de 500 euros (aproximadamente R$ 3 mil). Após o falecimento de seus pais, ela assumiu o contrato, conforme informado por múltiplos veículos de imprensa. A situação mudou drasticamente em 2018, quando o edifício foi vendido para a empresa Renta Corporación e, posteriormente, em 2020, para a Urbagestión, a atual proprietária.
A Urbagestión alegou que o contrato antigo não poderia ser prolongado indefinidamente após uma segunda sucessão familiar e propôs um novo aluguel. Inicialmente, o valor subiu para 2.650 euros, sendo depois reduzido para 1.650 euros (cerca de R$ 9,7 mil). No entanto, o novo valor ainda era 300 euros superior à aposentadoria mensal de Maricarmen, de 1.350 euros. Ela continuou depositando os 500 euros do contrato original, o que levou a disputa aos tribunais, que decidiram a favor da empresa proprietária.
A ordem de despejo foi executada na quarta tentativa, em meio a um grande protesto. Centenas de ativistas, vizinhos e figuras públicas, como o ator Carlos Bardem e a cantora Ana Belén, tentaram impedir a ação policial bloqueando a entrada do prédio. Relatos indicam que a polícia usou força e spray de pimenta para dispersar os manifestantes. Com dificuldades de locomoção, Maricarmen foi retirada do apartamento em uma maca e levada de ambulância para o hospital Gregorio Marañón para uma avaliação médica, antes de ir para a casa de familiares.
O caso foi classificado como uma "violação dos direitos humanos" por Koldo Casla, relator especial da ONU para o direito à moradia adequada. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, chamou o evento de "tragédia social". Antes da remoção, diversas tentativas de acordo foram rechaçadas pela proprietária, incluindo uma oferta de uma escritora anônima para cobrir a diferença do aluguel e uma proposta de compra do imóvel por um órgão público. O despejo de Maricarmen tornou-se um símbolo da crise de moradia, da especulação imobiliária e da vulnerabilidade de inquilinos idosos na Espanha.
Maricarmen Abascal foi despejada após uma decisão judicial favorável à empresa proprietária de seu apartamento. A empresa aumentou o aluguel de 500 para 1.650 euros, valor que excedia sua aposentadoria de 1.350 euros, e a Justiça entendeu que seu contrato de "locação antiga" não poderia ser estendido.
Ela pagava 500 euros mensais sob um contrato antigo. A nova proprietária passou a exigir 1.650 euros, enquanto a aposentadoria da idosa era de 1.350 euros por mês.
Sim. Uma escritora anônima se ofereceu para pagar a diferença do aluguel e um órgão público de habitação tentou comprar o apartamento. Segundo a defesa de Maricarmen e o Ministério da Habitação, a empresa proprietária recusou ambas as propostas.
O despejo de Maricarmen Abascal, aos 87 anos, de sua casa de sete décadas, transcendeu uma disputa contratual para se tornar um emblema da crise habitacional na Espanha. A mobilização popular e a repercussão internacional destacam a tensão entre os interesses do mercado imobiliário e o direito fundamental à moradia, especialmente para a população mais vulnerável.
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