Cerca de 3 mil pessoas que viviam em abrigos improvisados na praia do Trampolín foram transferidas para alojamentos temporários. Entenda a operação.
Olyvio Marques
Editor · Europa · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A polícia espanhola iniciou neste domingo (4) uma operação de grande escala para desmantelar um acampamento improvisado com cerca de 3 mil migrantes na praia do Trampolín, no enclave de Ceuta. A ação ocorre dias antes de uma visita oficial do rei Felipe VI e da rainha Letizia ao território. Atualizado em 4 de outubro de 2026.
A operação, que começou nas primeiras horas da manhã, mobilizou cerca de 350 agentes da Polícia Nacional, com apoio de veículos blindados, drones e unidades da Guarda Civil, incluindo mergulhadores e embarcações para evitar fugas pelo mar. Segundo as autoridades, a desocupação ocorreu sem incidentes.
Os migrantes estão sendo transportados em ônibus para o Centro de Atendimento Temporário de Estrangeiros (CATE), onde passarão por processos de identificação. A transferência depende da capacidade dos abrigos, e a operação pode ser suspensa caso não haja vagas disponíveis.
O acampamento na praia do Trampolín se tornou um símbolo da crise migratória em Ceuta após a entrada em massa de mais de 72 mil pessoas vindas do Marrocos no final de julho. Embora a maioria tenha retornado, estima-se que pelo menos 10 mil migrantes permaneceram no enclave, que tem uma população de 80 mil habitantes.
A situação gerou tensões com a população local, que realizou manifestações pedindo uma solução. Além disso, autoridades de saúde alertaram para a contaminação fecal das águas da praia, justificando a intervenção por razões de salubridade e segurança pública.
A desocupação acontece poucos dias antes da visita do rei Felipe VI e da rainha Letizia a Ceuta, marcada para 13 e 14 de outubro. Esta será a primeira visita do monarca ao enclave desde o início de seu reinado, há 12 anos.
A visita ocorre em um momento de atritos diplomáticos com o Marrocos, que reivindica a soberania sobre Ceuta e Melilla, o outro enclave espanhol no norte da África.
A polícia agiu devido a uma combinação de fatores: problemas de segurança, riscos à saúde pública por contaminação da água, tensões com a população local e a proximidade da visita do rei da Espanha ao enclave.
Eles foram encaminhados para alojamentos temporários, como o Centro de Atendimento Temporário de Estrangeiros (CATE), para serem identificados. Após a triagem, poderão ser regularizados ou retornar ao Marrocos.
A desocupação do acampamento na praia do Trampolín marca um ponto crítico na gestão da crise migratória em Ceuta. A ação, motivada por questões de segurança, saúde e política, busca restabelecer a ordem no enclave antes da significativa visita real, enquanto as tensões diplomáticas com o Marrocos continuam como pano de fundo.
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