Internada em Curitiba, Edina Francisco ensinou sua receita de salpicão à equipe de cuidados paliativos, que a serviu para todos. Saiba mais sobre o caso.
Olyvio Marques
Editor · Paraná · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma receita de família se tornou um símbolo de acolhimento e humanização no Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba. Atualizado em 7 de outubro de 2026, o caso de Edina Cristina Francisco, de 51 anos, demonstra como a escuta ativa em cuidados paliativos pode transformar a experiência de um paciente. Durante sua internação, ela ensinou a receita de seu salpicão à equipe de nutrição, que preparou e serviu o prato para todos no hospital, incluindo pacientes, acompanhantes e funcionários.
Edina foi diagnosticada com melanoma, um tipo de câncer de pele, em setembro de 2024. A doença avançou, atingindo o intestino e exigindo três cirurgias. Após 30 dias no hospital, ela foi transferida para o hospice da instituição em 15 de julho, onde permaneceu por 43 dias. Durante esse período, sentindo dificuldades com a alimentação hospitalar, a equipe a convidou para escolher um prato que gostaria de comer, conforme relatado pelo G1.
Em uma conversa com sua mãe, surgiu a ideia do salpicão, um prato que Edina costumava preparar em reuniões familiares. Ela escreveu a receita à mão e a entregou para a nutricionista do hospital. A iniciativa visava trazer um pouco do conforto de casa para o ambiente hospitalar.
A surpresa de Edina foi grande quando descobriu que o salpicão não seria preparado apenas para ela. A equipe de nutrição e cozinha do Hospital Erasto Gaertner produziu a receita para toda a unidade. "Eu achei que eles iam fazer só ali, mas, dessa vez, fizeram para o hospital inteiro", contou Edina. O prato foi adaptado e servido em canudinhos, uma versão que fez sucesso.
O gesto teve um impacto significativo na paciente. "Fez com que ela se sentisse mais animada", explicou o médico de cuidados paliativos Luiz Sérgio Batista Segundo. Após mais de 70 dias internada, Edina recebeu alta e continua o tratamento em casa, com acompanhamento da equipe do hospice.
Hospice é um serviço especializado no atendimento a pacientes com doenças graves ou avançadas, com foco no conforto, controle de sintomas e qualidade de vida, mesmo quando não há possibilidade de cura. No caso de Edina, a equipe multidisciplinar trabalhou na adaptação da bolsa de colostomia, recuperação da mobilidade e suporte nutricional e psicológico.
O hospice do Hospital Erasto Gaertner é o único do Paraná, com 25 leitos. Segundo o Atlas Brasileiro de Cuidados Paliativos 2025, o Brasil possui 15 hospices, um número ainda pequeno para a demanda estimada de mais de 625 mil pessoas que necessitam desses cuidados anualmente no país.
A receita que trouxe conforto e alegria para o ambiente hospitalar é simples e afetiva.
Misture bem todos os ingredientes em uma tigela. Em seguida, recheie os canudinhos com a mistura e sirva.
Cuidados paliativos são uma abordagem de saúde que visa proporcionar qualidade de vida a pacientes e familiares que enfrentam doenças graves e que ameaçam a continuidade da vida. O foco é aliviar o sofrimento por meio do controle de sintomas, apoio psicológico, social e espiritual, conforme definição da Organização Mundial da Saúde.
Edina Cristina Francisco foi diagnosticada com melanoma, um câncer de pele que avançou e atingiu seu intestino. Ela passou por múltiplas cirurgias antes de ser transferida para a unidade de cuidados paliativos para controle de sintomas e reabilitação.
Sim. Após 43 dias no hospice e um total de mais de 70 dias de internação, Edina recebeu alta e voltou para casa. Ela continua recebendo acompanhamento domiciliar da equipe de cuidados paliativos do hospital.
A história de Edina e seu salpicão no Hospital Erasto Gaertner ilustra o poder da humanização no cuidado à saúde. A iniciativa não apenas melhorou o bem-estar da paciente, mas também fortaleceu os laços entre equipes, pacientes e familiares, mostrando que o cuidado vai muito além dos procedimentos médicos, envolvendo também a escuta, o afeto e a memória.
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