Em comício na Geórgia, Donald Trump chamou acordo com ilha dinamarquesa de 'maior negócio imobiliário da história'. Entenda o que realmente dizem os acordos.
Olyvio Marques
Editor · Estados Unidos · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado (24.out.2026) que o país "ficou" com a Groenlândia e a Venezuela "de graça". A declaração ocorreu durante um comício em Perry, na Geórgia, onde ele classificou um acordo de segurança com a Dinamarca sobre a ilha como o "maior negócio imobiliário da história", segundo a agência Reuters. Atualizado em 25 de outubro de 2026.
Apesar da retórica de Trump, os acordos e as situações em ambos os territórios não envolvem uma transferência de soberania para os Estados Unidos, conforme detalhado nos próprios documentos e declarações de outras autoridades envolvidas.
Durante o evento de campanha para as eleições de meio de mandato, Trump celebrou o que descreveu como aquisições territoriais sem custo para os EUA. "Eles nos deram a Groenlândia. Vocês sabem disso", disse ele ao público, de acordo com o Poder360. Em seguida, comparou os dois territórios: "O que vocês preferem? Venezuela ou Groenlândia? As duas. Ficamos com as duas. De graça. Ficamos com elas".
O comício também incluiu o anúncio de um investimento de US$ 4 bilhões da montadora Audi no estado, críticas à imigração e a repetição de uma piada sobre a popularidade do nome Mohammad em países muçulmanos, conforme relatado pela CNN Brasil.
O acordo mencionado por Trump foi assinado em 22 de setembro de 2026 entre Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia. Trata-se de uma atualização de um tratado de defesa de 1951 que autoriza a ampliação de atividades militares americanas em bases existentes e o estabelecimento de novas áreas, como em Narsarsuaq e Mestersvig.
No entanto, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou explicitamente que o acordo não comprometeria a soberania do país sobre a Groenlândia. Documentos posteriores citados pela imprensa internacional reforçam que o tratado não transfere propriedade nem cria obrigações legais de aquisição, sendo um acordo de cooperação em segurança.
A menção à Venezuela refere-se a uma operação militar norte-americana realizada em 3 de janeiro de 2026, que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Ambos foram levados aos Estados Unidos. Desde então, a presidente interina, Delcy Rodríguez, negocia com a Casa Branca temas como investimentos em petróleo e a transição política do país.
Embora exista um acordo petrolífero que permite a exploração de campos por empresas americanas, não há, segundo as fontes, qualquer documento que formalize uma transferência de soberania ou "controle" total da Venezuela para os EUA.
Não. O que existe é um acordo de segurança assinado em setembro de 2026 entre EUA, Dinamarca e Groenlândia. Ele amplia a presença militar americana na ilha, mas não transfere soberania. A primeira-ministra dinamarquesa confirmou que o território continua sob controle do Reino da Dinamarca.
Não. Em janeiro de 2026, uma operação militar dos EUA resultou na captura de Nicolás Maduro. Atualmente, a presidente interina, Delcy Rodríguez, negocia com Washington a transição política e acordos sobre petróleo, mas não houve anexação ou transferência de controle do país.
As declarações de Donald Trump sobre a Groenlândia e a Venezuela, embora impactantes, fazem parte de sua retórica política e não correspondem à realidade dos acordos diplomáticos e militares. O acordo com a Groenlândia é focado em segurança, e a situação na Venezuela envolve uma intervenção e negociação política, não uma aquisição territorial como sugerido pelo presidente.
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