Pentágono expande ofensiva contra cartéis com treinamento de tropas no Panamá, Colômbia e Honduras. Medida gera preocupação sobre soberania na região.
Olyvio Marques
Editor · Internacional · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Os Estados Unidos estão enviando centenas de soldados para a América Latina, marcando uma significativa expansão da campanha do Pentágono contra o narcotráfico na região, segundo autoridades militares americanas. Atualizado em 15 de outubro de 2026. Os primeiros contingentes de um batalhão de 600 militares da 10ª Divisão de Montanha, sediada em Nova York, já começaram a se deslocar para um novo centro de treinamento na selva no Panamá, com planos de realizar exercícios conjuntos na Colômbia e em Honduras.
A mobilização, que não havia sido divulgada anteriormente, faz parte de uma estratégia mais ampla do governo Trump para intensificar a pressão militar sobre os cartéis de drogas. De acordo com o Estadão, as tropas treinarão com forças locais e poderão apoiar unidades de Operações Especiais dos EUA que já assessoram militares da região em incursões contra traficantes.
O cronograma inicial prevê que os soldados participem de exercícios no Panamá antes de seguirem para a Colômbia, onde participarão da operação "Southern Vanguard" ainda este mês, conforme noticiado pelo Brasil 247. Outras unidades serão enviadas a Honduras para atividades similares. Adam Isacson, diretor da organização WOLA, afirmou que um envio de tropas dessa magnitude para a região é incomum, exceto em situações de contingência como invasões ou desastres naturais.
Este envio de tropas é acompanhado por outras medidas estratégicas. O general Francis L. Donovan, principal comandante militar dos EUA na América Latina, declarou que o país planeja expandir suas operações, passando de ataques a embarcações para ações em terra, uma mudança que eleva as preocupações sobre soberania. A CNN Brasil reportou que o Pentágono também transferiu recentemente vários drones MQ-9 Reaper da África para a Colômbia e o Equador, ampliando a capacidade de vigilância.
Essas ações se inserem no contexto da aliança "Escudo das Américas", uma coalizão militar de 19 parceiros regionais liderada pelos EUA para desmantelar cartéis. No entanto, apenas alguns países, como Colômbia e Honduras, concordaram formalmente em permitir operações conjuntas em seus territórios.
A perspectiva de operações militares americanas em solo latino-americano reacendeu um debate sobre a soberania nacional e o histórico de intervenções dos EUA na região. Grupos de direitos humanos expressaram preocupação com o risco para civis, especialmente com a transição para operações terrestres. Segundo O Globo, especialistas também questionam a eficácia da estratégia, argumentando que a eliminação de líderes de cartéis não interrompe o fluxo de drogas, pois eles são rapidamente substituídos.
A ampliação da presença militar também ocorre em um cenário de disputa geopolítica. O general Joseph A. Ryan, chefe do Comando do Hemisfério Ocidental do Exército, admitiu que os EUA buscam recuperar influência em uma área onde a China expandiu sua presença econômica. "Cedemos o domínio econômico na região a um adversário, e isso é um fato", declarou Ryan em uma conferência em Washington.
Os Estados Unidos estão enviando um batalhão de 600 soldados da 10ª Divisão de Montanha, sediada em Fort Drum, Nova York, como parte da fase inicial da mobilização.
Inicialmente, as tropas serão deslocadas para um centro de treinamento na selva no Panamá. Posteriormente, seguirão para a Colômbia e Honduras para participar de exercícios militares conjuntos com forças locais.
O objetivo é expandir a campanha do Pentágono contra o narcotráfico, treinar forças parceiras na região e apoiar operações especiais contra cartéis de drogas, além de reforçar a influência estratégica dos EUA no Hemisfério Ocidental.
O envio de centenas de soldados americanos à América Latina representa uma escalada na abordagem dos EUA contra o narcotráfico, movendo-se para uma presença militar mais direta e operações potencialmente terrestres. A medida, embora alinhada com a estratégia do governo Trump e da coalizão "Escudo das Américas", gera debates sobre soberania, eficácia e os riscos para a população civil, em um cenário de crescente competição geopolítica com a China na região.
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