A trajetória de uma ex-doméstica que superou a fome para se tornar juíza inspira. Conheça histórias de quem transformou a vida através do estudo do Direito.
Olyvio Marques
Editor · Superação · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Histórias de superação que conectam o trabalho doméstico e a conquista de um diploma em Direito mostram como a determinação pode transformar realidades. Um dos casos mais emblemáticos é o de Rosilene de Santana Souza, que superou a fome e uma infância de dificuldades para se tornar juíza de Direito no Acre. Atualizado em 22 de junho de 2026.
A jornada de Rosilene, que saiu da zona rural da Bahia, trabalhou como doméstica e chegou a dormir no chão, inspira milhares de brasileiros que sonham com uma carreira no universo jurídico. Assim como ela, outras pessoas, como o jovem que financiou a faculdade trabalhando como engraxate, provam que a dedicação aos estudos é um caminho poderoso para a mudança de vida.
A história de Rosilene de Santana Souza é um testemunho de resiliência. Nascida na comunidade Pajeú, no sertão da Bahia, ela recebeu do pai a missão de estudar para superar as adversidades. Aos 12 anos, mudou-se com a irmã para a cidade, onde enfrentaram extrema pobreza. "Passamos fome, foi preciso pedir restos de ossos no açougue municipal para complementar nossa alimentação", relatou Rosilene em entrevista.
Para sobreviver e continuar os estudos, Rosilene realizava trabalhos como doméstica, recebendo cerca de R$ 20 pelo serviço. As dificuldades eram tantas que ela e a irmã precisavam se revezar para usar o mesmo uniforme e calçado para ir à escola, estudando em turnos diferentes. O acesso a materiais de estudo era limitado; sua escola só teve uma biblioteca quando ela já cursava o segundo ano do ensino médio.
Aos 19 anos, ao concluir o ensino médio via supletivo, Rosilene percebeu que não conseguiria pagar a faculdade de Direito com o salário de doméstica. Ela então buscou um curso técnico em Edificações no Instituto Federal, que lhe garantiu um emprego com melhor remuneração. Com o novo salário e uma bolsa de 50%, ela finalmente ingressou no curso de Direito. Dedicada, foi aprovada no exame da OAB ainda no 9° período e, após 14 concursos, conquistou o primeiro lugar para o cargo de juíza substituta do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC).
A determinação para vencer no campo do Direito não é exclusiva de Rosilene. A trajetória de Joaquim Pereira, de Monte Alegre de Goiás, também ilustra o poder da perseverança. Ele financiou sua faculdade de Direito trabalhando como engraxate nas ruas de Goiânia, mostrando que nenhuma profissão é um limite para os sonhos.
Sim. Histórias como a de Rosilene de Santana Souza, que trabalhou como doméstica, e de Joaquim Pereira, que atuou como engraxate, demonstram que com disciplina e organização é possível conciliar uma rotina de trabalho com os exigentes estudos da graduação em Direito.
A aprovação no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) é um requisito obrigatório para que o bacharel em Direito possa exercer a advocacia no país. A aprovação de Rosilene ainda durante a faculdade, por exemplo, foi um passo fundamental em sua jornada até a magistratura.
As trajetórias de Rosilene, Joaquim e tantos outros brasileiros reforçam uma mensagem poderosa: a educação e a persistência são ferramentas capazes de romper barreiras sociais e econômicas. Seja saindo de um trabalho doméstico para a magistratura ou de uma caixa de engraxate para o diploma de bacharel, essas histórias provam que o comprometimento com os próprios sonhos pode levar a conquistas extraordinárias.
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