Maior raça de sela do Brasil, o Mangalarga Marchador é rei nas exposições, mas enfrenta o desafio de mostrar sua versatilidade em provas funcionais. Entenda.
Olyvio Marques
Editor · Esportes · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O Mangalarga Marchador, maior raça de sela do Brasil com aproximadamente 780 mil animais, é um patrimônio nacional reconhecido por sua marcha confortável e beleza em pista. No entanto, um debate crescente questiona por que sua presença ainda é discreta em modalidades esportivas mais exigentes, como hipismo, laço e provas de gado, levantando questões sobre seleção, treinamento e o peso das exposições no mercado. Atualizado em 13 de julho de 2026.
A principal virtude do Mangalarga Marchador é sua marcha, que garante conforto em cavalgadas e passeios de lazer. Contudo, por décadas, a seleção da raça concentrou-se excessivamente na morfologia e no andamento para competições de exposição. Segundo o zootecnista Thiago Rodrigues Pereira, "Beleza vende, mas função é o que sustenta mercado". Essa priorização fez com que o mercado valorizasse mais o "cavalo de vitrine" do que o animal funcional, capaz de desempenhar tarefas complexas no campo ou no esporte.
A baixa presença do Marchador em certas modalidades não significa que a raça seja incapaz, mas que ela foi moldada para outros fins. Provas funcionais exigem aptidões específicas que nem sempre foram o foco da seleção da raça.
Modalidades como o salto no hipismo e os Três Tambores demandam galope equilibrado, impulsão, força de posterior e articulações resistentes para suportar o impacto. Raças como o Quarto de Milha foram selecionadas para arrancadas curtas e velocidade, características essenciais nessas competições.
Provas como apartação, Team Penning e Ranch Sorting exigem o chamado "cow sense", uma aptidão natural para ler e controlar o gado. Isso envolve agilidade lateral, paradas bruscas e coragem, atributos fortemente presentes em raças especializadas para o trabalho com rebanhos, como o Quarto de Milha.
A Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM) já reconhece e regulamenta diversas provas funcionais, como Três Tambores, Team Penning, Enduro e Equitação de Trabalho. O desafio, portanto, não é a falta de modalidades, mas a necessidade de que essas provas ganhem peso real na seleção e valorização comercial dos animais.
Para que o Mangalarga Marchador demonstre todo o seu potencial de inteligência, rusticidade e versatilidade, é preciso que o mercado e os criadores passem a valorizar o desempenho funcional tanto quanto os títulos de marcha e morfologia. A transição de um cavalo de sela para lazer para um atleta versátil é o caminho para expandir ainda mais as fronteiras da raça.
Sua principal característica é a marcha, um andamento de passo acelerado e regular que proporciona uma cavalgada suave e confortável, sendo ideal para passeios e longas distâncias.
Sim, a raça pode participar de provas como os Três Tambores, que são regulamentadas pela ABCCMM. No entanto, sua seleção histórica focada no conforto da marcha o diferencia de raças como o Quarto de Milha, moldadas para a explosão e velocidade em curtas distâncias.
A principal diferença está na origem e especialização. O Mangalarga Marchador é uma raça brasileira, desenvolvida para sela e conforto em longas cavalgadas. O Quarto de Milha é de origem americana, selecionado por sua velocidade em curtas distâncias e aptidão para o trabalho com gado ("cow sense").
O Mangalarga Marchador não é um cavalo limitado. Seu futuro como raça funcional depende de um reequilíbrio na seleção, onde a versatilidade e o desempenho em provas esportivas recebam a mesma valorização que a beleza e a marcha de exposição. O desafio é transformar o cavalo símbolo do lazer em um atleta completo, pronto para mostrar sua função além da vitrine.
A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) investiga a rápida emissão de uma certidão para o advogado Willer Tomaz. Entenda as irregularidades apontadas.
Longe dos gramados, o técnico de 53 anos dedica suas folgas a uma fazenda de 3,9 mil hectares da família em Mato Grosso, com plantio de soja. Saiba mais.
Empresa de Willer Tomaz solicitou ampliação de mansão em Angra dos Reis horas após Cláudio Castro afrouxar regras ambientais. Entenda a disputa com Richarlison.
A criação de cavalos Quarto de Milha para vaquejada vai além da linhagem. Entenda como haras usam seleção genética e técnicas de reprodução para gerar campeões.