Um casal investiu R$ 45 mil em painéis solares, mas a economia sumiu. Entenda a Lei 14.300 (Fio B) que mudou as regras e saiba seus direitos se a promessa não foi cumprida.
Olyvio Marques
Editor · Energia · · 4 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O sonho de zerar a conta de luz com um painel solar de R$ 45 mil, financiado em 72 vezes, virou frustração para um casal já no terceiro mês de uso. A economia prometida pela empresa vendedora caiu pela metade, e a causa não foi um defeito no equipamento, mas sim a aplicação da Lei 14.300/2022, uma mudança na regra de compensação que muitos vendedores omitem para fechar negócio. Atualizado em 22 de junho de 2026.
A história, embora fictícia, se repete em milhares de lares brasileiros desde 2023, segundo relatos. Consumidores são atraídos por simulações que prometem economias de até 95%, mas se deparam com faturas bem mais altas que o esperado poucos meses após a instalação.
A principal mudança que afeta a economia do painel solar é a Lei 14.300/2022, conhecida como o Marco Legal da Geração Distribuída. Ela instituiu uma cobrança gradual pelo uso da infraestrutura da rede elétrica, apelidada de "Fio B". Essa taxa incide sobre a energia que o sistema solar gera em excesso, injeta na rede da distribuidora e depois "pega de volta" como crédito para abater o consumo noturno ou em dias nublados.
Para sistemas conectados após 7 de janeiro de 2023, a cobrança do Fio B é escalonada, ou seja, aumenta a cada ano. Conforme o artigo 27 da lei, os percentuais são:
A partir de 2029, a regra de cobrança será definida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Essa progressão explica por que a economia diminui com o passar do tempo para novas instalações.
O problema central não é a lei em si, que é válida e foi amplamente debatida, mas a falta de transparência de algumas empresas na hora da venda. Muitas continuaram a usar simulações baseadas nas regras antigas, que previam uma compensação quase integral, sem informar os clientes sobre a transição já em vigor, como aponta a reportagem da Rádio Tupi. O resultado é uma projeção de retorno do investimento muito mais otimista que a realidade.
É crucial entender que a data de protocolo da solicitação de acesso junto à distribuidora define o regime de compensação. Quem protocolou até 7 de janeiro de 2023 garantiu o direito de seguir com as regras antigas (sem cobrança do Fio B) até 2045, de acordo com o Correio Braziliense. Isso explica por que vizinhos com sistemas parecidos podem ter contas de luz com valores diferentes.
Quando a economia real fica muito abaixo da prometida por escrito, o consumidor está amparado pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC). A lei considera que a oferta e a publicidade integram o contrato.
Sim, na maioria dos casos, a instalação de um sistema de energia solar continua sendo vantajosa. A tecnologia ainda proporciona uma redução significativa na conta de luz. O ponto crucial é que o cálculo de viabilidade e o tempo de retorno do investimento devem ser feitos com base nas regras atuais da Lei 14.300, e não em promessas de "conta zerada".
Para evitar surpresas, exija da empresa vendedora uma simulação de economia por escrito que detalhe a aplicação da cobrança do Fio B ano a ano. Compare a economia líquida projetada com o valor da parcela do financiamento. Guarde todo o material de venda, incluindo propostas e e-mails, e desconfie de promessas de economia acima de 70% para sistemas novos.
Estão isentos da cobrança gradual do Fio B os consumidores que já possuíam um sistema de geração distribuída antes da publicação da lei ou que protocolaram a solicitação de acesso na distribuidora até 7 de janeiro de 2023. Para esse grupo, as regras antigas de compensação são válidas até 31 de dezembro de 2045.
O investimento em energia solar continua sendo uma alternativa viável para reduzir os custos com eletricidade, mas exige mais atenção do consumidor. O problema que frustrou muitas famílias não está na tecnologia ou na legislação, mas na informação incompleta ou enganosa fornecida no momento da venda. A chave para um bom negócio é exigir transparência, entender as regras vigentes e basear a decisão em cálculos realistas, não em promessas de um passado que não se aplica mais.
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