Instituto [SSEX BBOX] deixará organização e abrirá edital para novos grupos assumirem o evento; cenário reflete queda de 60% em verbas da Parada LGBT+.
Olyvio Marques
Editor · NÓS · · 1 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A Marcha do Orgulho Trans de São Paulo, realizada desde 2018 no Largo do Arouche, não acontecerá em 2026. O Instituto [SSEX BBOX], que organizava o evento, anunciou que está deixando o projeto e abrirá um edital para que novas entidades assumam a manifestação nos próximos anos.
Segundo Lyon Adryan Ror, fundador do Instituto, a decisão foi motivada pelo desejo de assumir projetos mais amplos e incentivar o surgimento de novas lideranças na comunidade LGBTQIA+. No entanto, ele também apontou que o cenário internacional de investimentos pesou na escolha.
Ror afirmou que "o ecossistema de investimento e patrocínio ligado às iniciativas LGBTQIA+ mudou consideravelmente nos últimos anos". Ele atribui essa mudança à onda conservadora intensificada pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos, que levou diversas companhias a retirarem ou reduzirem incentivos a eventos de diversidade. "Isso teve impacto direto em muitas organizações, projetos culturais e iniciativas independentes — e nós não somos diferentes", declarou Ror à colunista Mônica Bergamo.
A dificuldade financeira não é um caso isolado. A Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, maior evento do tipo no mundo, também sofreu uma queda de 60% nos patrocínios entre 2025 e 2026. A organização da Parada aponta o mesmo motivo: a debandada de empresas multinacionais após a intensificação de políticas antidiversidade nos EUA. Como consequência, a 30ª edição da Parada terá uma estrutura reduzida, com menos trios elétricos.
Apesar do cancelamento em 2026, o Instituto [SSEX BBOX] planeja garantir a continuidade do evento, considerado o maior de protagonismo trans da América Latina. A entidade informou que abrirá inscrições nas próximas semanas para que outros grupos e coletivos possam assumir a organização da marcha, que foi a primeira do Brasil com foco principal na visibilidade de pessoas trans.