Entenda o projeto inovador da Unicamp que usa geotubos com areia para combater a erosão na Ponta da Praia. Saiba como a estrutura funciona e por que é uma alternativa à engorda da orla.
Olyvio Marques
Editor · Cidades · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma barreira submersa formada por grandes tubos de tecido preenchidos com areia, conhecidos como geotubos, está sendo utilizada em Santos (SP) para conter o avanço do mar e a erosão costeira. A tecnologia, desenvolvida pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), funciona como um recife artificial que diminui a energia das ondas antes que elas atinjam a orla. Atualizado em 12 de julho de 2026.
A solução consiste em duas estruturas submersas que formam um "L" na região da Ponta da Praia. Uma delas, com 275 metros, parte da mureta da orla em direção ao mar, enquanto a outra, com 240 metros, corre paralela à praia. Ambas são construídas com geotubos, que são sacos feitos de material geossintético (polímeros como poliéster e polipropileno) preenchidos com areia da própria praia, conforme detalhado em projeto da Unicamp.
O objetivo é duplo: o trecho perpendicular ao mar reduz a velocidade das correntes, permitindo que a areia se deposite, enquanto o trecho paralelo atua como um quebra-mar, forçando as ondas a quebrarem antes da costa, dissipando sua energia. Segundo a Prefeitura de Santos, o projeto-piloto instalado em 2018 utilizou 49 geotubos.
A Ponta da Praia sofre com um processo erosivo severo, agravado após a dragagem para aprofundamento do canal do Porto de Santos em 2010. Essa intervenção alterou as correntes marítimas e resultou na perda de 57,4 metros da faixa de areia entre 2009 e 2017, segundo o Estadão. A simples reposição de areia, conhecida como "engorda da praia", foi descartada porque o material seria rapidamente levado para o canal do porto, exigindo mais dragagens.
A barreira de geotubos foi escolhida por ser uma solução de baixo impacto ambiental, mais econômica que estruturas de pedra ou concreto e reversível — caso necessário, basta rasgar o tecido e devolver a areia à praia.
O monitoramento da estrutura inicial indicou um aumento de 8,9 centímetros na altura da areia na área protegida, segundo o portal Metrópoles. No entanto, a barreira sofreu um afundamento (recalque) devido ao solo instável da região, o que reduziu sua eficiência. Por conta disso, um novo projeto prevê a reforma da estrutura existente e a construção de duas novas barreiras, totalizando 900 metros de proteção adicional entre os canais 4 e 6. A expansão, que aguarda licenciamento ambiental, será custeada dentro de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Autoridade Portuária de Santos.
Geotubos são grandes estruturas tubulares feitas de tecidos geossintéticos de alta resistência, preenchidas com areia ou sedimentos locais. Eles funcionam como barreiras flexíveis que absorvem e dissipam a energia das ondas, sendo utilizados mundialmente para proteção costeira, recuperação de praias e construção de diques.
A fase inicial do projeto-piloto, implantada em 2018, teve um custo de aproximadamente R$ 3 milhões, financiado com recursos de uma multa ambiental aplicada ao Porto de Santos, conforme divulgado pela Unicamp e pela prefeitura na época.
Não. O projeto foi elaborado para que a estrutura permaneça submersa na maior parte do tempo, mesmo com a variação das marés, para minimizar o impacto visual na paisagem turística da orla de Santos. O afloramento pode ocorrer apenas em eventos meteorológicos extremos.
A barreira submersa de geotubos em Santos representa uma abordagem inovadora e sustentável para o desafio da erosão costeira. Baseada em uma solução de engenharia desenvolvida pela Unicamp, a tecnologia se mostrou uma alternativa viável às intervenções tradicionais, como a engorda da orla. Com a expansão planejada, a cidade reforça sua estratégia de adaptação aos efeitos das mudanças climáticas e do avanço do mar.
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