Presente do influenciador Buzeira ao jogador durante cruzeiro iniciou investigação que desmantelou rede de receptação em SP. Entenda a Operação Ouro Reverso.
Olyvio Marques
Editor · Cidades · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um colar de ouro avaliado em R$ 2 milhões, presenteado pelo influenciador Buzeira ao jogador Neymar Jr. em dezembro de 2023, foi o ponto de partida para a Polícia Civil de São Paulo desmantelar uma rede criminosa especializada em receptação de ouro roubado. Atualizado em 25 de agosto de 2026.
A repercussão do presente de alto valor, entregue durante o cruzeiro "Ney em Alto Mar", chamou a atenção das autoridades e deu início à investigação que culminou na Operação Ouro Reverso. É importante ressaltar que Neymar não é investigado e foi ouvido apenas como testemunha, conforme confirmado por diversas fontes.
A investigação começou após a ampla divulgação do presente nas redes sociais. A polícia identificou o fabricante da joia como Douglas Bonetti Rocha, conhecido como "Jimmy". Ao ser questionado sobre a origem do ouro utilizado na peça, Douglas não apresentou justificativas consideradas suficientes para comprovar a procedência de todo o material, segundo a Polícia Civil. Ele apresentou uma nota fiscal de R$ 720 mil, mas o valor não cobria o total da peça.
Essa inconsistência levou à abertura de um novo inquérito específico para apurar a origem do ouro, que acabou por revelar a conexão de "Jimmy" com uma rede maior de receptadores que atuava no centro de São Paulo.
A apuração policial, denominada Operação Ouro Reverso, descobriu um esquema que operava em várias etapas. Criminosos roubavam ou furtavam joias, como alianças, que eram então vendidas a receptadores. Esses intermediários, por sua vez, repassavam o material para estabelecimentos que derretiam o ouro.
O processo de derretimento dificultava o rastreamento e a identificação da origem ilícita das peças, permitindo que o ouro fosse reinserido no mercado com aparência de legalidade. A segunda fase da operação, deflagrada em agosto de 2026, cumpriu quatro mandados de prisão e 28 de busca e apreensão, além de determinar o bloqueio de R$ 34,6 milhões em bens dos investigados.
Não. Segundo as investigações da Polícia Civil, Neymar Jr. não é investigado e não há qualquer indício de sua participação no esquema. Ele foi ouvido apenas como testemunha no processo, pois foi a pessoa que recebeu o presente.
O presente foi dado pelo influenciador digital Buzeira durante o cruzeiro "Ney em Alto Mar", em dezembro de 2023. Buzeira afirmou na época que decidiu presentear o jogador por admiração e por perceber que ele havia gostado da joia.
A polícia não afirma que o ouro utilizado especificamente na fabricação do colar de Neymar tenha origem criminosa. A investigação começou porque o fabricante da joia não conseguiu comprovar a procedência de todo o metal, o que levou à descoberta da rede de receptação com a qual ele tinha relações.
A ostentação de um presente luxuoso, o colar de R$ 2 milhões dado a Neymar, serviu como gatilho inesperado para uma complexa investigação policial. A Operação Ouro Reverso expôs uma sofisticada rede de receptação de ouro roubado em São Paulo, resultando em condenações e no bloqueio de milhões, demonstrando como a atenção midiática pode, por vezes, levar à descoberta de esquemas criminosos.
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