Prefeituras podem assumir imóveis abandonados para projetos como moradias populares. Em Vitória (ES), um novo decreto estabelece regras claras. Saiba como funciona.
Olyvio Marques
Editor · Cidades · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Sim, prefeituras podem tomar posse de imóveis privados abandonados para destiná-los a projetos de interesse público, como moradias populares. Atualizado em 16 de outubro de 2026, um exemplo prático é o da Prefeitura de Vitória (ES), que instituiu o Programa de Reabilitação da Área Central (ReAC) por meio do Decreto nº 27.034. A medida, no entanto, não é imediata e segue um rigoroso processo administrativo para garantir o direito de defesa do proprietário.
A iniciativa visa combater a degradação urbana e dar uma função social a propriedades que se encontram em estado de abandono. Em Vitória, o foco é a Zona Especial de Interesse Urbanístico 1 (ZEIU 1), que abrange o Centro Histórico. Para que um imóvel seja considerado abandonado, a fiscalização precisa comprovar três condições simultaneamente, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo:
O processo de arrecadação não é sumário e oferece oportunidades para o proprietário reverter a situação. A prefeitura não pode simplesmente tomar o imóvel sem seguir os trâmites legais.
Primeiramente, a Secretaria de Desenvolvimento da Cidade e Habitação deve notificar oficialmente o proprietário. Após a notificação, o dono do imóvel tem um prazo de 30 dias para apresentar uma contestação e provar que pretende conservar ou utilizar a propriedade. Caso o proprietário não seja localizado, um edital é publicado no Diário Oficial.
Mesmo após a prefeitura assumir a posse provisória por meio de um decreto de arrecadação, o proprietário original ainda tem um prazo de três anos para reaver o bem. Para isso, ele precisa quitar todas as dívidas existentes, ressarcir o município por eventuais melhorias realizadas e demonstrar interesse em conservar o patrimônio. Somente após esse período, se nenhuma providência for tomada, o imóvel é incorporado definitivamente ao patrimônio municipal.
Após a arrecadação definitiva, os imóveis podem ser destinados a diversas finalidades para revitalizar a área. Entre as possibilidades estão:
O programa da Prefeitura de Vitória projeta viabilizar entre 8 mil e 11 mil novas moradias na região central, atraindo até 27,5 mil novos moradores.
Não. A tomada de posse só ocorre após um processo administrativo que inclui notificação, direito de defesa com prazo de 30 dias e um período de três anos para o proprietário reaver o bem, mesmo após a posse provisória do município.
A caracterização depende da comprovação de três fatores: abandono material (deterioração visível), ausência de posse por qualquer pessoa e falta de interesse do proprietário em conservar o bem, o que pode ser indicado por dívidas tributárias de cinco anos ou mais.
A legislação sobre a função social da propriedade e a possibilidade de arrecadação de imóveis abandonados é prevista no âmbito federal, mas sua aplicação depende de leis e decretos municipais. O exemplo detalhado é específico da cidade de Vitória (ES), através do Decreto nº 27.034.
A arrecadação de imóveis abandonados por prefeituras é uma ferramenta legal para promover a revitalização urbana e garantir a função social da propriedade. O processo, como o implementado em Vitória, é estruturado para proteger os direitos do proprietário, oferecendo prazos para contestação e recuperação do bem antes da perda definitiva.
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