Proprietários de imóveis vazios ou em ruínas podem perder o bem para o poder público. Medida, baseada em lei, visa criar moradias populares. Saiba como funciona.
Olyvio Marques
Editor · Cidades · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Sim, prefeituras podem tomar posse de imóveis abandonados para transformá-los em moradias populares ou outros projetos de interesse público. A medida, amparada pela legislação brasileira, visa cumprir a função social da propriedade e combater a degradação urbana. Atualizado em 12 de agosto de 2026.
A Prefeitura de Vitória (ES), por exemplo, regulamentou a iniciativa por meio do Programa de Reabilitação da Área Central (ReAC), que permite ao município arrecadar casas, prédios e terrenos que apresentem sinais claros de abandono, como apurado por veículos de imprensa locais.
A perda da propriedade não é imediata e segue um processo administrativo com várias etapas para garantir o direito de defesa do proprietário. O procedimento é baseado em leis como o Código Civil e o Estatuto da Cidade.
A prefeitura precisa primeiro comprovar três condições simultaneamente: o abandono material do imóvel (sinais de deterioração), a ausência de posse por terceiros e a falta de interesse do proprietário em conservá-lo, conforme detalhado pelo portal Correio de Minas. Dívidas de impostos por cinco anos ou mais podem reforçar a caracterização de abandono.
Após a identificação, o proprietário registrado é notificado oficialmente e tem um prazo de 30 dias para apresentar uma contestação. Nesse período, ele pode comprovar que utiliza, conserva ou tem um projeto para recuperar o bem. Caso o dono não seja localizado, a comunicação é feita por edital público, segundo o portal ND Mais.
Se a defesa não for apresentada ou for insuficiente, o município pode decretar a arrecadação provisória do imóvel. No entanto, o proprietário ainda tem um prazo de três anos para reaver a propriedade. Para isso, precisa regularizar todas as pendências, quitar débitos e ressarcir gastos que a prefeitura tenha tido com a manutenção do local, de acordo com o Diário do Comércio.
Somente após o período de três anos sem manifestação do proprietário é que o imóvel pode ser incorporado definitivamente ao patrimônio municipal e destinado a novos usos, como moradia popular, estabelecimentos comerciais ou serviços públicos.
A iniciativa na capital capixaba, parte do programa ReAC, visa revitalizar a região central, que sofreu com o esvaziamento populacional nas últimas décadas. A prefeitura estima que a medida pode viabilizar entre 8 mil e 11 mil novas moradias, atrair até 27,5 mil novos moradores e movimentar mais de R$ 6 bilhões em investimentos privados, como reportado pelo Sim Notícias.
O objetivo é aproveitar a infraestrutura já existente no centro da cidade, como transporte, escolas e serviços, para ampliar a oferta de habitação de interesse social e fortalecer a economia local.
A caracterização depende de uma análise conjunta de fatores, incluindo sinais visíveis de deterioração (mato alto, lixo acumulado, danos estruturais), falta de manutenção, ausência de posse e desinteresse do proprietário em conservar o bem. O acúmulo de dívidas de impostos por cinco anos também é um forte indício, segundo o portal Correio de Minas.
Não. A dívida de IPTU, por si só, não provoca a perda automática da propriedade por abandono. Ela é um dos indícios que, somado à comprovação do abandono físico e da falta de posse, pode levar à arrecadação do imóvel pelo município.
Sim, o princípio da função social da propriedade está previsto na Constituição Federal e a perda por abandono é regulada pelo Código Civil (art. 1.276), que são leis nacionais. O Estatuto da Cidade também prevê instrumentos como o IPTU Progressivo e a desapropriação. No entanto, a implementação e os procedimentos específicos, como o programa ReAC, são definidos por cada município.
A tomada de imóveis abandonados pelo poder público é uma ferramenta legal para combater a especulação imobiliária e o descaso com o patrimônio, transformando espaços ociosos em soluções para o déficit habitacional e a revitalização urbana. O processo é longo e garante diversas oportunidades de defesa ao proprietário, que precisa demonstrar interesse em cumprir a função social de seu bem para evitar a perda definitiva.
Conhecida como a Capital do Abacaxi, Frutal colhe 9 milhões de frutos e responde por 24% da produção de MG. Descubra como a cidade une agronegócio e educação.
Um carcará fêmea desorientado causou transtornos no trânsito do Gonzaga, em Santos, ao andar pela rua. Saiba como foi o resgate e para onde a ave foi levada.
Inspirado por gestos individuais, o plantio de orquídeas em árvores ganha força. Entenda o que é epifitismo e veja como essa prática segura e bela pode transformar a paisagem urbana.
Obra da ponte ferroviária da Arauco em Inocência (MS) avança para nova fase com o içamento de 18 vigas de 92 toneladas. Veja o andamento do Projeto Sucuriú.