A Operação Placebo desarticulou um esquema de fraude com medicamentos oncológicos no RS e outros 4 estados. Saiba como o grupo agia e quem foi preso.
Olyvio Marques
Editor · Polícia · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma investigação sobre um esquema de fornecimento de remédio falso contra câncer culminou na prisão de um empresário e no cumprimento de 57 mandados de busca e apreensão no Rio Grande do Sul e em outros quatro estados. Atualizado em 29 de junho de 2026, a ação, batizada de Operação Placebo, mira um grupo suspeito de fraudar concorrências judiciais, usar empresas de fachada e distribuir medicamentos com indícios de falsificação para pacientes oncológicos.
A investigação da Polícia Civil aponta para uma organização criminosa com tarefas bem definidas, dividida em três núcleos: médico, jurídico e empresarial. Segundo o delegado Daniel Severo, o esquema começava com um médico oncologista que captava os pacientes e os encaminhava para advogados específicos, que faziam parte do grupo.
O núcleo jurídico, por sua vez, acionava o Poder Judiciário para obter verbas públicas para a compra de medicamentos de alto custo. Em seguida, o núcleo empresarial, liderado pelo empresário Lisandro Henriques Hermes, entrava em cena. Ele controlava, direta ou indiretamente, diversas empresas, como a Licifarma e a LH Medicamentos, que simulavam uma concorrência nos processos judiciais. Dessa forma, o grupo garantia que uma de suas empresas vencesse a cotação, direcionando os recursos públicos para o esquema.
O caso começou a ser desvendado quando uma farmacêutica da Santa Casa de São Gabriel, no Rio Grande do Sul, desconfiou da autenticidade de frascos do medicamento Enhertu (trastuzumabe deruxtecana), usado no tratamento de câncer de mama. A embalagem do remédio, adquirido com dinheiro público em compras que podiam chegar a R$ 800 mil, apresentava inconsistências e até erros de grafia.
A suspeita foi reforçada por um alerta anterior da Anvisa. Em fevereiro de 2026, a agência já havia proibido a comercialização do lote 416466 do Enhertu após a fabricante, Daiichi Sankyo Brasil, comunicar a existência de unidades falsificadas. Os produtos falsos tinham tampas metálicas pintadas de amarelo, enquanto o original possui tampa plástica.
O empresário Lisandro Henriques Hermes, de São Gabriel, foi preso e é apontado como o principal articulador do grupo. Em sua residência, a polícia encontrou dezenas de caixas de medicamentos e suplementos sem identificação. Ele negou as acusações.
Além dele, são investigados um médico oncologista, Fernando Borges da Silva, e três advogados: Éverson Dornelles de Dornelles, Esther Cowan Kotula e Rita Gabriela Schweickardt Werner. A Justiça determinou a suspensão cautelar do exercício profissional de todos eles. A investigação identificou, até o momento, 39 pacientes como vítimas do esquema, sendo que sete morreram durante o tratamento. A polícia ainda apura se há relação entre as mortes e os medicamentos adulterados.
A operação foi batizada de "Operação Placebo" pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul.
O empresário Lisandro Henriques Hermes, de São Gabriel (RS), foi preso preventivamente, apontado como o líder do núcleo empresarial do esquema.
O principal medicamento com indícios de falsificação é o Enhertu (trastuzumabe deruxtecana), um remédio de alto custo utilizado no tratamento de câncer.
A Operação Placebo expôs um esquema cruel que se aproveitava da vulnerabilidade de pacientes com câncer para desviar recursos públicos. A prisão do principal suspeito e a suspensão das atividades de outros profissionais envolvidos representam um passo importante para desarticular a organização criminosa, enquanto as investigações prosseguem para determinar a extensão total dos danos e a responsabilidade de cada integrante.
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