João Pedro Ladislau foi impedido de fazer a prova da Universidade Federal de Goiás. Entenda a polêmica sobre o laudo médico e as regras do edital.
Olyvio Marques
Editor · Vestibular · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O estudante João Pedro Ladislau, que tem diabetes tipo 1, relatou ter sido impedido de realizar a prova do vestibular da Universidade Federal de Goiás (UFG) neste domingo (27) por utilizar uma bomba de insulina, aparelho essencial para seu tratamento. Segundo o candidato e sua mãe, uma falha no sistema de inscrição impediu o envio do laudo médico, o que resultou na sua exclusão no dia do exame. Atualizado em 28 de setembro de 2026.
O centro da questão está na divergência entre a versão da família e a do Instituto Verbena, organizador do vestibular. Alana Ladislau, mãe de João Pedro, afirmou ao G1 que tentou anexar o laudo médico durante a inscrição, mas o site apresentou um erro. Ao contatar o instituto por e-mail, ela diz ter sido orientada a fazer uma nova inscrição e pagar uma nova taxa, mas o erro persistiu.
Por outro lado, o Instituto Verbena informou em nota que a solicitação de condição especial não exigia novo pagamento. A instituição alega que solicitou à família uma captura de tela do erro para investigar o problema, o que não teria sido enviado. De acordo com o edital, o uso de dispositivos como a bomba de insulina deveria ser comunicado formalmente por e-mail, com o laudo anexo, até três dias úteis antes da prova, procedimento que, segundo o instituto, não foi cumprido pelo candidato.
O caso de João Pedro não é isolado e expõe uma dificuldade sistêmica na acomodação de estudantes com condições médicas em exames de grande escala. Em 2017, uma estudante de 15 anos foi barrada no Enem pelo mesmo motivo, por não ter compreendido no edital que sua condição exigia um pedido de atendimento específico, conforme noticiado por O Globo.
Em outras situações, famílias precisaram recorrer à Justiça para garantir o direito. Um caso em Minas Gerais, reportado pela Tribuna de Minas, envolveu um adolescente que só conseguiu autorização para usar seu sensor de glicemia nos vestibulares da UFJF e UFV após obter liminares judiciais. As universidades alegavam risco de cola e incômodo sonoro do aparelho.
O edital do vestibular da UFG, organizado pelo Instituto Verbena, prevê que o candidato que necessita usar dispositivos eletrônicos, como a bomba de insulina, deve comunicar formalmente a comissão organizadora por e-mail até três dias úteis antes da prova, anexando o laudo médico que comprove a necessidade.
Por ser um aparelho eletrônico, a bomba de insulina entra na categoria de itens geralmente proibidos nos locais de prova para evitar fraudes, como o uso para comunicação externa ou consulta. A falta de protocolos claros e a rigidez das regras de segurança frequentemente levam à exclusão de candidatos que dependem desses dispositivos para sua saúde.
Não. Casos semelhantes são registrados com frequência em diversos processos seletivos no Brasil, incluindo o Enem. Muitas vezes, a falta de clareza nos editais ou a dificuldade de comunicação com as bancas organizadoras resultam na exclusão de estudantes ou na necessidade de ações judiciais para garantir o direito de realizar a prova com o suporte médico necessário.
O caso de João Pedro na UFG levanta um debate urgente sobre a inclusão de pessoas com condições crônicas em processos seletivos. Enquanto organizadores buscam garantir a isonomia e a segurança, a aparente falta de flexibilidade e clareza nos procedimentos pode acabar por excluir candidatos, transformando o sonho da universidade em uma barreira para quem já enfrenta desafios diários de saúde.
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