Da superação de décadas sem estudo à nota máxima no TCC. Conheça as trajetórias inspiradoras de mulheres com mais de 60 anos que realizaram o sonho da graduação.
Olyvio Marques
Editor · Educação · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Histórias de superação e dedicação mostram que a busca pelo conhecimento não tem idade. Em diferentes partes do Brasil, mulheres com mais de 60 anos estão concluindo o ensino superior, defendendo seus Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) e inspirando novas gerações. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Maria de Fátima Abade Barbosa, de 70 anos, emocionou a banca da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) ao apresentar um TCC sobre sua própria história. Filha de quebradeira de coco babaçu, mulher preta e camponesa, ela ficou décadas longe da escola, como informa o G1. Seu trabalho, intitulado “Nunca é Tarde para Aprender: A história de vida de uma mulher preta que foi excluída do processo educacional de ensino”, foi aprovado com louvor e se tornou um símbolo de resistência e da busca por dignidade através da educação.
Orientada pela professora Iara Rodrigues da Silva, Maria de Fátima transformou suas memórias de exclusão em pesquisa acadêmica no curso de Educação do Campo – Artes. “Orientar este trabalho foi acompanhar uma travessia de coragem, memória e ancestralidade. Dona Fátima nos ensina que aprender é um gesto de resistência”, destacou a professora, segundo reportagem do G1.
No Rio Grande do Sul, Maria Clair Alves, de 73 anos, tornou-se a pessoa mais velha a defender um TCC no curso de Artes Visuais da Universidade Federal de Rio Grande (Furg). Ela não apenas concluiu o trabalho, como também alcançou a nota máxima, 10, com o projeto “Metamorfose na maturidade: o fio do crochê como poética artística da liberdade”, conforme noticiado pelo GZH. “O estudo não era uma necessidade, era um sonho. E agora estou tendo a oportunidade de realizá-lo”, afirmou Maria Clair, que estudou apenas até a terceira série na infância e retomou os estudos após os 50 anos.
No Paraná, a história de Margareth Haas, de 66 anos, viralizou após seu neto publicar sobre sua aprovação no TCC de Serviço Social na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). A postagem alcançou mais de 1,3 milhão de visualizações, segundo a Agência de Notícias do Paraná. Margareth, que havia interrompido os estudos em 1990, voltou à universidade em 2021 após passar no vestibular. Seu TCC abordou a importância do Projeto Rondon para a formação profissional. “O que eu quero deixar é minha mensagem: a vida segue depois dos 60”, defendeu.
Sim, é totalmente possível. As histórias de Maria de Fátima (70), Maria Clair (73) e Margareth (66) demonstram que a idade não é um impeditivo para ingressar e concluir o ensino superior, sendo uma oportunidade para realizar sonhos e adquirir novos conhecimentos.
Os desafios podem incluir a adaptação a novas tecnologias e a superação do preconceito. Maria Clair Alves relatou ao GZH ter ouvido que estava “tirando a vaga de um jovem”. Margareth Haas mencionou à Agência de Notícias do Paraná que as barreiras foram enormes após 30 anos sem estudar, necessitando de cursos de informática para se adaptar.
As trajetórias de Maria de Fátima, Maria Clair e Margareth reforçam uma poderosa mensagem: nunca é tarde para aprender, sonhar e se reinventar. Elas não apenas conquistaram diplomas universitários, mas também se tornaram exemplos de perseverança, mostrando que a educação é um caminho de transformação pessoal em qualquer fase da vida.
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