Entenda o caso em que 12 policiais foram a uma escola infantil em SP após pai reclamar de atividade sobre cultura afro-brasileira. Veja o que diz a lei.
Olyvio Marques
Editor · Educação · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A entrada de 12 policiais militares em uma escola de educação infantil na Zona Oeste de São Paulo, após a reclamação de um pai sobre um desenho da orixá Iansã feito por sua filha de 4 anos, gerou um confronto verbal gravado por câmeras corporais. O caso, ocorrido em novembro de 2025 na EMEI Antônio Bento, veio à tona com a divulgação das imagens que mostram um tenente acusando a diretora da unidade de tentar "impor e ditar" sua "ideologia". Atualizado em 23 de junho de 2026.
A ação foi desencadeada pela denúncia do pai de uma aluna, que também é policial militar, que se opôs a uma atividade pedagógica sobre cultura afro-brasileira, conforme apurado pelo G1 e Metrópoles. A criança havia feito um desenho de Iansã, uma divindade de religiões de matriz africana, após a leitura do livro infantil "Ciranda de Aruanda", de Liu Olivina. O pai alegou que a escola estaria obrigando a filha a ter "aula de religião africana", diferente da sua crença cristã.
Segundo relatos da diretora registrados pelas câmeras, no dia anterior à chamada da PM, o pai teria agido de forma agressiva na escola, coagindo a professora e arrancando o desenho da filha de um mural, de acordo com o portal Metrópoles.
Durante a abordagem policial, a diretora explicou ao tenente Ronald Camacho que a atividade fazia parte de um projeto pedagógico amparado pelas leis federais 10.639/2003 e 11.645/2008. Essas leis, como informado pelo Correio Braziliense, tornam obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas. A educadora reforçou que não se tratava de ensino religioso, mas de uma abordagem cultural e literária, seguindo orientações da Secretaria Municipal de Educação.
As imagens das câmeras corporais, divulgadas por veículos como G1 e CNN Brasil, mostram o tenente contestando a diretora. "Como não? Eu vi um desenho que está escrito Iansã", afirmou o policial. A discussão se intensificou quando a diretora questionou a presença de um grande efetivo armado em uma unidade de educação infantil.
Em um dos momentos mais tensos, o tenente acusou a educadora de intransigência. "A senhora quis impor e ditar as suas regras, ditar o seu pensamento, ditar a sua ideologia. Não vou conversar com a senhora hoje", disse ele, ameaçando retornar com uma "medida administrativa", conforme divulgado pelo Metrópoles.
Após o episódio, a Polícia Civil concluiu o inquérito em fevereiro de 2026 e indiciou o pai da criança pelo crime de intolerância religiosa, segundo a CNN Brasil. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a conduta dos policiais que participaram da ocorrência está sob investigação por meio de um Inquérito Policial Militar (IPM), e as imagens das câmeras foram encaminhadas ao Tribunal de Justiça Militar para análise.
A atividade foi a leitura do livro infantil "Ciranda de Aruanda", que aborda a mitologia dos orixás sob uma perspectiva cultural. Após a leitura, os alunos fizeram desenhos sobre a história, como parte de um projeto pedagógico sobre cultura afro-brasileira.
Não. Segundo a diretora e a Secretaria Municipal de Educação, a atividade tinha caráter cultural e pedagógico, em cumprimento às leis federais que obrigam o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena, e não se tratava de ensino religioso.
O pai da aluna, que também é policial militar, foi indiciado pela Polícia Civil pelo crime de intolerância religiosa. A conduta dos policiais que atenderam à ocorrência também está sendo investigada pela própria corporação.
O caso na EMEI Antônio Bento expõe o conflito entre a aplicação de diretrizes educacionais obrigatórias e interpretações individuais baseadas em crenças religiosas, culminando em uma controversa ação policial em ambiente escolar. O episódio segue com desdobramentos na Justiça e na esfera administrativa da Polícia Militar.
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