O leilão para a concessão de 98 escolas estaduais no Rio Grande do Sul foi remarcado para 23 de julho. Entenda a proposta do governo e as críticas de sindicatos.
Olyvio Marques
Editor · Rio Grande do Sul · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 22 de junho de 2026. O leilão para a concessão de 98 escolas da rede estadual do Rio Grande do Sul à iniciativa privada, proposto pelo governo de Eduardo Leite (PSD), foi adiado para o dia 23 de julho. A decisão, publicada no Diário Oficial, ocorre em meio a uma forte mobilização de professores, estudantes e comunidades escolares, que questionam a legalidade e a vantagem do modelo de Parceria Público-Privada (PPP).
O projeto do governo gaúcho prevê entregar à iniciativa privada os serviços de apoio e infraestrutura em 98 escolas de 15 municípios por um período de 25 anos. Segundo o edital, a empresa vencedora seria responsável por reformas, manutenção predial, limpeza, vigilância, conectividade e gestão de mobiliário, com um pagamento anual previsto de R$ 72,1 milhões por parte do estado. A gestão Leite afirma que a gestão pedagógica permaneceria com a Secretaria Estadual da Educação (Seduc) e as direções das escolas.
O Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers Sindicato) lidera a oposição ao projeto, classificando-o como "mercantilização da educação". A entidade, junto ao Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), apresentou um estudo técnico que aponta inconsistências no modelo. Segundo a análise, a economia projetada pelo governo seria de apenas 0,81% e a PPP poderia se tornar mais cara que a gestão pública. O estudo também aponta que pelo menos 15 das escolas listadas já possuem obras em andamento financiadas pelo próprio governo.
Durante audiência pública na Assembleia Legislativa, a equipe jurídica do Cpers informou ter encontrado 112 impropriedades no projeto e aguarda uma análise do Ministério Público. A mobilização contra o leilão inclui atos públicos e a campanha "Não Venda a Minha Escola".
Em audiência pública, a subsecretária de Parcerias e Concessões do Rio Grande do Sul, Anna Clara Madella Yaginuma, defendeu o modelo. Ela argumentou que a PPP é um instrumento de contratação que permite ao estado contratar múltiplos serviços de uma vez, gerando eficiência e liberando os gestores pedagógicos para focarem nos alunos. Segundo o governo, os pagamentos à empresa vencedora só começariam após a conclusão das obras, prevista para o segundo semestre de 2028.
O leilão, inicialmente marcado para 26 de junho, foi adiado e está previsto para acontecer em 23 de julho de 2026, às 14h, na B3, em São Paulo.
Críticos, como o Cpers Sindicato, argumentam que o projeto comercializa a educação, carece de vantagem econômica comprovada, redireciona recursos públicos para o lucro privado por 25 anos e ameaça a gestão democrática das escolas.
O projeto de PPP do governo do Rio Grande do Sul inclui um total de 98 escolas estaduais, localizadas em 15 municípios, que atendem cerca de 60,5 mil estudantes.
O adiamento do leilão das 98 escolas estaduais para julho dá mais tempo para o debate, mas não encerra a controvérsia. De um lado, o governo defende a PPP como um modelo de modernização e eficiência. Do outro, a comunidade escolar e sindicatos denunciam riscos à educação pública e questionam a validade econômica e jurídica do projeto, prometendo manter a mobilização.
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