Sofia Favero e Sônia Guajajara denunciaram a deputada eleita Eduarda Campopiano por ataque a Erika Hilton e falas sobre indígenas. Entenda as acusações.
Olyvio Marques
Editor · Eleições · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 5 de outubro de 2026. As deputadas eleitas Sofia Favero (PSOL) e Sônia Guajajara (PSOL) acionaram o Ministério Público contra a também recém-eleita deputada estadual Eduarda Campopiano (PL) por acusações de transfobia e racismo. A ação de Favero responde a um ataque de Campopiano à deputada federal Erika Hilton (PSOL), enquanto a de Guajajara se refere a declarações anteriores sobre povos indígenas.
Poucas horas após o encerramento da apuração do primeiro turno, na madrugada de segunda-feira (5), Eduarda Campopiano publicou em seu perfil na rede social X (antigo Twitter) uma mensagem direcionada a Erika Hilton. Conforme noticiado pela Folha de S.Paulo e Metrópoles, a postagem dizia: "Oi @ErikakHilton Como é saber que um homem biológico nunca vai ocupar o espaço da mulher mais votada de São Paulo? Rs".
O ataque ocorreu após ambas alcançarem resultados históricos nas urnas. Campopiano foi eleita a deputada estadual mais votada de São Paulo, com 1.956.238 votos. Já Erika Hilton foi reeleita deputada federal com 1.596.472 votos, tornando-se a mulher mais votada para a Câmara dos Deputados na história do Brasil, segundo o G1.
A deputada estadual eleita Sofia Favero protocolou uma representação no Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A ação pede a instauração de um inquérito policial contra Campopiano pelos crimes de transfobia e violência política de gênero.
De acordo com o documento, a manifestação de Campopiano "nega deliberadamente a identidade de gênero da deputada e utiliza sua condição de mulher trans para atacá-la". A representação argumenta que a fala extrapola a liberdade de expressão e reforça a discriminação, lembrando que o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou a homotransfobia ao crime de racismo.
Além da denúncia por transfobia, a deputada federal reeleita Sônia Guajajara anunciou que irá registrar uma notícia-crime no Ministério Público Federal (MPF) contra Campopiano por declarações consideradas racistas. A acusação se baseia em falas da parlamentar do PL durante um podcast em maio, no qual associou povos indígenas a práticas como canibalismo e sacrifício de crianças.
Na ocasião, Campopiano afirmou: "Glória a Deus que colonizaram, glória a Deus que catequizaram as índias. Glória a Deus que a extrema direita chegou e falou para os índios: 'galera, fazer sacrifício e comer o braço do irmãozinho não é legal, enterrar criança viva…'", conforme reportado pela Folha de S.Paulo.
Eduarda Campopiano, 23 anos, foi eleita deputada estadual por São Paulo pelo PL. Antes, era vereadora em Praia Grande (SP). Com uma agenda conservadora, ela se autointitula "a maior inimiga das feministas de São Paulo" e tem como padrinho político o deputado federal Lucas Pavanato (PL).
A postagem, feita na rede social X, dizia: "Oi @ErikakHilton Como é saber que um homem biológico nunca vai ocupar o espaço da mulher mais votada de São Paulo? Rs". A publicação ultrapassou 3 milhões de visualizações.
Procurada pela imprensa sobre o ataque, a deputada federal Erika Hilton afirmou que sua colega de partido, Sofia Favero, "já estava cuidando disso", indicando que a resposta seria por vias legais.
As ações movidas pelas deputadas do PSOL colocam Eduarda Campopiano sob investigação em duas frentes distintas no Ministério Público: uma por transfobia e violência política de gênero contra Erika Hilton, e outra por racismo contra povos indígenas. Os casos evidenciam a crescente judicialização de discursos de parlamentares eleitos e devem se desdobrar nos próximos meses.
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