Relatório da PF revela diálogos entre o ex-dono do Banco Master e o ministro do STF dias antes de sua prisão. Veja as principais acusações, ponto a ponto.
Olyvio Marques
Editor · Justiça · · 4 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A divulgação de mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e um contato salvo como "Alexandre de Moraes" recolocou o caso do Banco Master no centro do debate político e jurídico. Atualizado em 2 de setembro de 2026, o caso envolve investigações sobre um complexo esquema de fraudes financeiras e a suposta relação de proximidade do empresário com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
O material, parte de um relatório da Polícia Federal (PF) obtido a partir do celular de Vorcaro, teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, também do STF, e agora aguarda análise do plenário da Corte e da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Segundo a investigação da Polícia Federal, o núcleo do esquema era inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master para que a instituição parecesse mais sólida e rica do que realmente era. De acordo com o G1, o banco mantinha uma "linha de produção" de documentos falsos, como contratos e extratos, para simular empréstimos e operações que nunca existiram.
Essa estratégia, segundo a apuração, permitia atrair bilhões de reais de investidores. Um exemplo citado pela PF envolve títulos do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), que teriam sido adquiridos por cerca de R$ 850 mil e registrados com valor superior a R$ 10 bilhões. Além disso, a instituição emitiu R$ 50 bilhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessas de juros acima do mercado, sem comprovar que teria capacidade de pagar os investidores.
A investigação vai além das fraudes financeiras. A PF apura uma estrutura mais ampla que teria atuado para movimentar recursos, obter informações sigilosas e intimidar adversários. As principais frentes de investigação, conforme apurado pelo G1, incluem:
A relação do ministro com o caso é investigada em duas frentes principais: as conversas diretas com Vorcaro e os contratos milionários do banco com o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
Diálogos recuperados do celular de Vorcaro indicam que ele teria consultado Moraes sobre uma iminente operação da PF. Em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de ser preso, o banqueiro perguntou: "Acha que segunda já tenho que estar fora?". No dia seguinte, ele insistiu: "Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?", conforme divulgado por múltiplos veículos de imprensa.
A PF identificou um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, assinado em 2024. A perícia apontou que o arquivo do contrato foi editado por um perfil de usuário identificado como "Ministro Alexandre de Moraes". Em nota, o escritório afirmou que Moraes foi consultado apenas para verificar se havia impedimentos legais para a contratação, já que ele não julgava nenhuma causa envolvendo o banco. Mensagens reveladas pela BBC Brasil também mostram Vorcaro tratando os pagamentos como prioridade máxima, orientando um funcionário a pagar "sempre, sem nota".
Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar em um jato particular. A investigação inicial apontava para gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. Ele foi solto, mas voltou a ser preso preventivamente em março de 2026, após a análise de seu celular revelar novos elementos, como o risco de destruição de provas e interferência nas investigações.
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro de 2025. A decisão foi tomada devido à "grave deterioração financeira, risco de insolvência" e descumprimento de normas, poucas horas após o BC impedir a venda da instituição para outra holding.
Não. A defesa de Vorcaro tentou um acordo de delação premiada, mas a Polícia Federal rejeitou as propostas. Segundo os investigadores, as informações apresentadas já eram conhecidas ou continham contradições, além da falta de garantias para a devolução de valores aos cofres públicos.
O caso Master se desdobra em uma complexa teia de acusações de crimes financeiros e supostas conexões com altas autoridades da República. A divulgação das mensagens e dos detalhes dos contratos adiciona uma camada de crise política à investigação, cujo desfecho agora depende das próximas decisões da Procuradoria-Geral da República e do plenário do STF.
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