Investigação da PF no Caso Master pode se estender até 2027 devido ao volume de dados. Entenda o que falta periciar e o que já foi descoberto.
Olyvio Marques
Editor · Justiça · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A Polícia Federal (PF) ainda precisa concluir a perícia em ao menos três celulares do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e em cerca de 60 outros aparelhos eletrônicos apreendidos na Operação Compliance Zero, que investiga o Caso Master. Atualizado em 22 de junho de 2026, o volume de dados é tão grande que a análise completa pode se estender até 2027, prometendo novos desdobramentos em uma das mais complexas apurações financeiras do país.
A investigação enfrenta um grande volume de material pendente. Dos oito celulares apreendidos com Vorcaro em três ocasiões distintas, pelo menos três ainda não foram totalmente analisados. Além disso, há cerca de 60 outros dispositivos, de um total de mais de 100 apreendidos com dezenas de alvos, que aguardam perícia, conforme apurado pela Gazeta do Povo. O trabalho também inclui a digitalização e análise de milhares de documentos físicos, como contratos e anotações, que precisam ser cruzados com os dados digitais.
A análise parcial dos dispositivos, especialmente do primeiro celular apreendido em novembro, quando Vorcaro foi preso tentando deixar o país, já revelou um esquema robusto. O ex-banqueiro se recusou a fornecer as senhas, obrigando a PF a usar softwares forenses avançados para acessar os dados.
As perícias indicam que Vorcaro construiu uma ampla rede de relações com integrantes dos Poderes Executivo, Legislativo e do alto escalão do Judiciário. O envolvimento de seu núcleo familiar levou o relator do caso no STF, ministro André Mendonça, a descrever o esquema como algo com "contornos de máfia".
Foram descobertos grupos chamados "A Turma" e "Os Meninos", compostos por policiais, hackers e operadores de confiança. Segundo as investigações, eles monitoravam desafetos e promoviam intimidações. Há também indícios de pagamentos a servidores do Banco Central e do Banco Regional de Brasília (BRB) em troca de informações privilegiadas.
Entre os documentos, a PF encontrou uma minuta de contrato de R$ 50 milhões ligada ao escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF. O ministro e sua esposa não são investigados. A banca nega a prestação de serviços, e Moraes nega a existência de supostas conversas mencionadas em capturas de tela encontradas nos aparelhos de Vorcaro.
A complexidade e o volume de dados são os principais fatores para a longa duração da perícia. A necessidade de quebra de criptografia, a análise minuciosa de milhares de documentos físicos e o cruzamento de informações entre mais de 100 dispositivos demandam tempo. Além disso, a investigação sofreu um atraso no início de 2026, quando o então relator, ministro Dias Toffoli, restringiu a análise a apenas quatro peritos, ritmo que só foi normalizado com a chegada de André Mendonça à relatoria.
Pelo menos três dos oito celulares apreendidos com Daniel Vorcaro ainda não tiveram sua perícia concluída pela Polícia Federal.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) e a PF rejeitaram duas propostas de delação premiada porque o ex-banqueiro não apresentou fatos novos. As informações oferecidas por ele já eram de conhecimento dos investigadores devido ao avanço da perícia nos aparelhos apreendidos.
Os investigadores preveem novas fases da operação, focadas no cruzamento de dados, na análise dos documentos físicos restantes e na identificação de outros envolvidos, incluindo operadores do mercado financeiro que podem ter lucrado com informações privilegiadas sobre a crise do Banco Master.
A Operação Compliance Zero está longe de terminar. Com uma montanha de dados ainda por analisar, a Polícia Federal segue desvendando uma teia complexa de crimes financeiros e cooptação de agentes públicos. As revelações futuras, extraídas dos celulares e documentos de Daniel Vorcaro e outros investigados, têm potencial para gerar novos desdobramentos políticos e judiciais nos próximos meses e anos.
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