Após perder emprego formal, defesa do ex-deputado Daniel Silveira pede ao STF acesso a petição e vídeos sigilosos que questionaram sua atividade. Entenda.
Olyvio Marques
Editor · Justiça · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A defesa do ex-deputado federal Daniel Silveira informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que ele perdeu seu emprego formal e solicitou providências urgentes à Corte. A demissão teria ocorrido após a repercussão de uma reportagem sobre suas atividades profissionais, segundo petição enviada neste domingo (30). Atualizado em 31 de agosto de 2026.
Os advogados de Daniel Silveira, liderados por Michael Robert, pediram ao STF a revogação da autorização que permitia ao ex-parlamentar trabalhar no Rio de Janeiro. Com a perda do emprego, eles solicitam que Silveira possa retornar a Petrópolis, na região serrana do estado.
O ponto central do pedido é o acesso a uma petição e a vídeos, mantidos sob sigilo, que foram levados ao processo por terceiros. De acordo com a defesa, foram esses materiais que levaram o ministro Alexandre de Moraes a intimar Silveira para comprovar seu vínculo empregatício em 24 de agosto. O advogado alega que está "defendendo às cegas um despacho judicial", pois desconhece o teor das acusações que motivaram a desconfiança sobre a atividade profissional de seu cliente.
A defesa afirma que a demissão foi consequência direta do desgaste gerado por uma matéria jornalística sobre o trabalho de Silveira. Para comprovar a legalidade da atividade, os advogados já haviam apresentado ao STF o contrato de trabalho, recibos de pagamento e declarações de prestação de serviço. O contrato indicava que o ex-deputado atuava com consultoria comercial e prospecção de clientes.
A autorização para trabalho externo nem sempre foi concedida. Em maio de 2025, o plenário do STF, por 9 votos a 2, manteve uma decisão de Moraes que vetava o pedido de Silveira para trabalhar e estudar fora da prisão. A negativa foi justificada pelo "comportamento inadequado e desrespeitoso" do ex-deputado, que havia violado regras do livramento condicional pouco depois de deixar a prisão.
Segundo sua defesa, a demissão foi causada pelo desgaste entre ele e o empregador após a repercussão de uma reportagem jornalística que questionava suas atividades profissionais.
Os advogados afirmam que não têm acesso ao conteúdo da petição e dos vídeos sigilosos que motivaram a investigação do STF, o que os impede de exercer a ampla defesa. Eles já haviam apresentado documentos para comprovar o vínculo empregatício.
Daniel Silveira foi condenado pelo STF em abril de 2022 a oito anos e nove meses de prisão por ameaças ao Estado Democrático de Direito e coação no curso do processo, após divulgar vídeos com ataques a ministros da Corte.
O novo pedido da defesa de Daniel Silveira ao STF marca mais um capítulo na conturbada execução de sua pena. Ao solicitar acesso a documentos sigilosos que teriam resultado na perda de seu emprego, os advogados buscam entender a origem das acusações para contestá-las, enquanto tentam reverter a autorização de trabalho para que ele possa permanecer em Petrópolis.
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