Jovem de 27 anos, detida há 18 dias em Goiás, segue presa. Defesa alega erro de identidade, mas polícia do Amapá nega e vincula liberdade à colaboração.
Olyvio Marques
Editor · Justiça · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 20 de julho de 2026. A estudante de Direito Ellen Lorraine Trindade Mateus, de 27 anos, presa há 18 dias em Trindade (GO), permanecerá detida por tempo indeterminado. A defesa da jovem alega que a prisão, ocorrida em 2 de julho, foi resultado de um erro de identificação. No entanto, o delegado Breno da Costa Esteves, da Polícia Civil do Amapá (PCAP) e responsável pelo caso, negou a informação e condicionou um eventual pedido de liberdade à colaboração da investigada com as apurações.
Segundo o advogado de defesa, Jean Tavares, Ellen Lorraine foi confundida com outra mulher chamada apenas "Lorraine", que seria a verdadeira integrante de uma organização criminosa especializada em estelionato. A defesa sustenta que não há provas que conectem a estudante ao grupo, como conversas ou transações financeiras via Pix, e que a única ligação seria o fato de um dos criminosos ter o número de telefone de Ellen salvo em sua agenda, conforme apurado pelo Jornal Opção.
A prisão ocorreu na residência da estudante, que é filha de um coronel da reserva da Polícia Militar de Goiás. Desde então, ela está na Penitenciária Feminina de Aparecida de Goiânia. A defesa havia afirmado que o delegado do Amapá teria reconhecido o erro e se comprometido a pedir a soltura da jovem.
Em entrevista ao Jornal Opção, o delegado Breno da Costa Esteves desmentiu a versão da defesa. "Em nenhum momento eu falei que reconheci erro ou algo nesse sentido", afirmou Esteves. Ele esclareceu que a investigação que levou à prisão de Ellen foi robusta, passando pela análise do Ministério Público e por decisão judicial.
De acordo com o delegado, a estudante é investigada por ser uma das "operadoras" que alimentavam o sistema utilizado nas fraudes, manipulando CPFs e outros dados. Ele explicou que a possibilidade de solicitar uma medida cautelar alternativa à prisão, como o uso de tornozeleira eletrônica, só será avaliada se Ellen colaborar efetivamente com a investigação, ajudando a identificar outros membros da organização criminosa.
Embora a polícia negue o erro neste caso, problemas com registros de nomes e documentos são uma realidade que pode gerar graves consequências. Segundo a Defensoria Pública do Ceará, erros de grafia ou a exclusão de um sobrenome podem criar entraves para atos simples da vida civil, como abrir contas bancárias, solicitar aposentadoria ou até mesmo provar a própria identidade. Em muitos casos, a correção exige um processo judicial para retificação de registro, que tramita nas Varas de Registros Públicos.
Ellen Lorraine Trindade Mateus é investigada por suposta participação em uma organização criminosa especializada em estelionatos, que teria movimentado mais de R$ 7 milhões, segundo a Polícia Civil do Amapá.
A defesa alega que sim, afirmando que ela foi confundida com outra pessoa. Contudo, o delegado responsável pelo caso nega o equívoco, afirmando que a investigação tem elementos sólidos que a apontam como suspeita.
Não há previsão de soltura. O delegado Breno da Costa Esteves condicionou um possível pedido de substituição da prisão preventiva por outra medida cautelar à colaboração efetiva da estudante com as investigações.
O caso de Ellen Lorraine Trindade Mateus expõe um conflito de narrativas. Enquanto a defesa aposta na tese de um erro de identidade para conseguir sua liberdade, a Polícia Civil do Amapá sustenta a validade das investigações e a mantém como suspeita. A resolução do impasse depende agora da colaboração da estudante e dos próximos passos do processo judicial.
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