Transação do senador foi impedida por ordem do ministro André Mendonça um dia após operação da PF. Entenda o caso, os valores envolvidos e a defesa.
Olyvio Marques
Editor · Justiça · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O senador Jaques Wagner (PT-BA) tentou formalizar a venda de um terreno em Camaçari (BA), avaliado em R$ 15,8 milhões, um dia após ser alvo da Operação Compliance Zero da Polícia Federal. A transação, no entanto, foi barrada pelo cartório de imóveis em cumprimento a uma ordem de bloqueio de bens emitida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Atualizado em 21 de julho de 2026.
A Polícia Federal deflagrou a 9ª fase da Operação Compliance Zero em 18 de junho de 2026, cumprindo mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Jaques Wagner. Apenas um dia depois, em 19 de junho, a escritura de venda do terreno de 51 mil m² foi protocolada no 1º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari, conforme apurado pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Contudo, o cartório recebeu uma notificação do STF e impediu a transferência da propriedade. "Em cumprimento ao protocolo [...], expedido pelo ministro André Luiz de Almeida Mendonça, fica averbada nesta data a indisponibilidade sobre o imóvel objeto da matrícula supra, de propriedade de Jaques Wagner", registrou o ofício, segundo documentos obtidos pela imprensa.
Além do terreno, uma segunda transação imobiliária do senador foi bloqueada. Trata-se de um apartamento de luxo em Salvador, vendido por R$ 10 milhões ao prefeito de Conceição do Coité, Marcelo Passos (União Brasil). Essa venda havia sido protocolada no cartório uma semana antes da operação da PF, mas também foi travada pela mesma ordem judicial. Somadas, as vendas chegam a R$ 25,8 milhões.
O terreno em Camaçari foi negociado com a empresa Lagoons Empreendimentos, que tem como sócio o Grupo City (City Football Group), gestor da SAF do Esporte Clube Bahia. A área faz parte de um futuro empreendimento imobiliário anexo ao novo centro de treinamento do clube. O acordo previa um pagamento antecipado de R$ 2 milhões, que já foi efetuado, e o restante (R$ 13,8 milhões) seria pago em permuta por lotes no futuro empreendimento.
A defesa de Wagner e a empresa compradora afirmam que a negociação começou em 2024 e foi formalizada em 2025, muito antes da operação policial. A Lagoons Empreendimentos declarou em nota que realizou a devida diligência e não encontrou restrições que impedissem o negócio na época, e que apenas dava seguimento aos trâmites de registro.
A defesa do senador nega irregularidades e sustenta que a venda do terreno é resultado de uma negociação antiga. Em nota, afirmou que o pagamento antecipado de R$ 2 milhões foi "devidamente declarado, com o recolhimento do imposto sobre o ganho de capital (DARF pago em 30/06/2025)". O advogado Pablo Domingues reforçou que "não há mínima irregularidade e nem nada a esconder".
A venda foi barrada pelo cartório de imóveis de Camaçari em cumprimento a uma ordem do ministro André Mendonça, do STF, que determinou a indisponibilidade de todos os bens do senador no âmbito da Operação Compliance Zero.
Jaques Wagner é investigado na Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de irregularidades e pagamentos de vantagens indevidas ligadas ao Banco Master. A PF apura se o senador atuou em favor de interesses da instituição financeira.
Após a operação da Polícia Federal, e por pressão do Palácio do Planalto, Jaques Wagner deixou o cargo de líder do governo Lula no Senado.
A tentativa de venda de um terreno milionário um dia após ser alvo da Polícia Federal colocou o senador Jaques Wagner no centro de mais um desdobramento da Operação Compliance Zero. Enquanto a defesa alega que a negociação é antiga e legal, o bloqueio determinado pelo STF congela o patrimônio do parlamentar e aprofunda o desgaste político gerado pela investigação.
Decisão unânime do Supremo mantém anulação de doação de mais de R$ 500 mil e um carro. Corte rejeitou recurso da Igreja Universal em caso de coação.
Decisão da Justiça Federal no RS se baseia em vídeos e geolocalização para provar contratação de crédito. Veja as consequências e como a tecnologia valida contratos.
Construtora atrasou a obra do seu apartamento na planta? A legislação brasileira protege o consumidor, garantindo a rescisão do contrato e o reembolso integral. Conheça seus direitos.
Justiça do DF determinou indenização por danos morais após deputado chamar sigla de 'Partido dos Traficantes'. Entenda a decisão e saiba se cabe recurso.