Médica no Paraná foi sentenciada a mais de 11 anos de prisão por forjar laudos de câncer de pele e realizar cirurgias desnecessárias. Veja detalhes do caso.
Olyvio Marques
Editor · Justiça · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A médica Carolina Fernandes Biscaia foi condenada pela Justiça do Paraná a 11 anos, 8 meses e 25 dias de prisão em regime fechado. A sentença, divulgada em setembro de 2026, concluiu que ela emitia falsos diagnósticos de câncer de pele para realizar procedimentos cirúrgicos desnecessários em pacientes na cidade de Pato Branco. Atualizado em 12 de setembro de 2026.
A condenação, em primeira instância, abrange os crimes de exercício ilegal da profissão, 21 acusações de lesão corporal e 32 de estelionato. Segundo o Ministério Público, o prejuízo financeiro causado às vítimas ultrapassa R$ 130 mil. A defesa da médica informou que irá recorrer da decisão, e ela poderá aguardar o recurso em liberdade.
As investigações da Polícia Civil, iniciadas em março de 2024 após denúncias de pacientes, revelaram um método sistemático. A médica coletava amostras de pintas e manchas dos pacientes e as enviava para análise laboratorial. No entanto, na consulta de retorno, ela entregava laudos falsificados com diagnóstico positivo para câncer de pele.
De acordo com a perícia, os documentos eram adulterados no próprio consultório com o uso de uma máquina de xerox, onde resultados falsos eram sobrepostos aos laudos verdadeiros. Fontes da investigação apontam que Biscaia exercia "forte pressão psicológica" para que os pacientes realizassem as cirurgias imediatamente no local.
Ao todo, 38 pessoas que se identificaram como vítimas foram ouvidas durante o processo. Um dos casos mais emblemáticos foi o de uma paciente que recebeu um falso diagnóstico de melanoma, um tipo agressivo de câncer de pele. Ela gastou mais de R$ 5 mil em uma cirurgia de "ampliação de margens" na perna, que resultou em uma cicatriz desnecessária.
A fraude foi descoberta quando a própria vítima comparou o laudo fornecido pela médica com o documento original obtido diretamente no laboratório. Um áudio gravado por ela, e que se tornou prova no processo, registra a médica comemorando a retirada do suposto tumor e dizendo que a paciente deveria "agradecer a Deus" pela "dádiva" de ter descoberto a doença em estágio inicial.
A investigação confirmou que Carolina Fernandes Biscaia se apresentava como dermatologista e especialista em oncologia cutânea, embora não possuísse registro de especialização nos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs). Em março de 2024, o CRM-PR já havia aplicado uma "censura pública" contra ela por anunciar especialidades que não possuía.
Em maio do mesmo ano, o conselho determinou uma interdição cautelar total de suas atividades por 180 dias. Apesar das condenações e do histórico, seu registro no site do Conselho Federal de Medicina (CFM) ainda consta como "regular", sem especialidades atribuídas.
Ela foi condenada a 11 anos, 8 meses e 25 dias de prisão em regime inicial fechado. A sentença é de primeira instância e a defesa irá recorrer.
A condenação inclui 32 crimes de estelionato, 21 de lesão corporal e o exercício ilegal da profissão, por atuar como dermatologista sem ter a especialização registrada.
Segundo a perícia da Polícia Civil, ela utilizava uma máquina de xerox em seu consultório para adulterar os laudos laboratoriais, sobrepondo resultados falsos aos documentos originais para indicar a presença de câncer de pele.
A condenação de Carolina Fernandes Biscaia expõe um grave esquema de fraude médica que resultou em danos físicos, emocionais e financeiros para dezenas de pacientes. Enquanto a defesa prepara o recurso, o caso serve de alerta sobre a importância da verificação das credenciais de profissionais da saúde e da busca por uma segunda opinião médica diante de diagnósticos graves.
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