Após a prisão de profissionais na Operação Sintonia de Gravata, a OAB da Bahia instaurará processo ético-disciplinar e pode aplicar suspensão preventiva. Veja detalhes.
Olyvio Marques
Editor · Justiça · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A seccional baiana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-BA) se manifestou publicamente após a prisão de nove advogados na "Operação Sintonia de Gravata", deflagrada na última sexta-feira (3). Atualizado em 4 de julho de 2026. Os profissionais são suspeitos de usar suas prerrogativas para atuar como mensageiros de líderes de facções criminosas detidos em presídios de segurança máxima.
Em nota oficial, a OAB-BA informou que acompanhou o cumprimento dos mandados através da Comissão de Direitos e Prerrogativas para garantir o respeito à legislação. A presidente da seccional, Daniela Borges, determinou que a Procuradoria Jurídica solicite acesso integral aos autos do inquérito junto ao Tribunal de Justiça da Bahia, conforme noticiado pelo Conjur e pelo Blog do Sigi Vilares.
Após a análise da documentação, o caso será encaminhado ao Tribunal de Ética e Disciplina (TED) da OAB-BA para "adoção das providências cabíveis, inclusive a eventual suspensão preventiva dos advogados envolvidos", de acordo com o Estatuto da Advocacia e o Código de Ética e Disciplina.
As investigações, conduzidas pelo Ministério Público da Bahia em conjunto com as secretarias de Segurança Pública e de Administração Penitenciária, apontam que os advogados abusavam das prerrogativas da profissão para burlar o isolamento imposto a líderes de facções em presídios de segurança máxima. Segundo o portal Itapebi Acontece, eles atuavam como um canal de comunicação clandestino.
Esse elo permitia que os chefes dos grupos criminosos continuassem a comandar, de dentro das celas, atividades como:
A operação cumpriu um total de 22 mandados de prisão preventiva em seis municípios baianos, incluindo Salvador, Feira de Santana e Camaçari. Além dos advogados, 14 mandados foram direcionados a integrantes de facções que já estavam no sistema prisional. A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 10 milhões em ativos financeiros dos investigados, além da indisponibilidade de veículos e imóveis, como reportado pelo portal Tia Cândia.
A ação mobilizou mais de 100 profissionais e faz parte de um esforço nacional coordenado pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC).
Inicialmente, nove advogados (seis mulheres e três homens) foram presos preventivamente. Um décimo investigado, que estava foragido, foi localizado e detido no final da tarde de sexta-feira (3), segundo o G1.
Eles são acusados de atuar como "pombos-correios" ou "elo" entre líderes de facções presos e comparsas em liberdade, desvirtuando as prerrogativas da advocacia para manter a comunicação e o comando das organizações criminosas, conforme apurado pela Band.
A OAB-BA pode instaurar um procedimento ético-disciplinar que, segundo o Estatuto da Advocacia, pode resultar em uma suspensão preventiva do exercício da profissão enquanto as investigações criminais e disciplinares ocorrem, como informado pela própria entidade em nota.
A OAB da Bahia reafirmou seu compromisso com a defesa das prerrogativas da advocacia, mas também com a apuração rigorosa de desvios de conduta. O caso destaca a complexidade do combate ao crime organizado e o papel das instituições em garantir a integridade e a ética profissional.
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