Em depoimento sigiloso à equipe do ministro, banqueiro negou crimes, defendeu a venda do Banco Master e acusou a PF de rejeitar sua delação. Entenda.
Olyvio Marques
Editor · Justiça · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou em depoimento sigiloso à equipe do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que a venda de ativos ao Banco de Brasília (BRB) foi "benéfica", apesar de a operação ter gerado um prejuízo bilionário para a instituição pública. Atualizado em 3 de setembro de 2026.
No relato, solicitado por sua defesa e realizado sem a presença da Polícia Federal, Vorcaro negou ter cometido crimes financeiros, classificando os episódios como "erros" em disputas de negócios. A informação foi divulgada pelo Estadão.
Durante o depoimento, Vorcaro acusou a Polícia Federal de ter rejeitado sua proposta de delação premiada com o objetivo de "blindar" o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, devido a uma suposta relação entre eles. O banqueiro, no entanto, não apresentou provas para sustentar suas alegações, segundo fontes que acompanharam a oitiva.
A defesa do banqueiro havia solicitado a audiência com a equipe de Mendonça sob o argumento de que Vorcaro se sentia ameaçado pelos investigadores do caso. Ele relatou ter recebido "recados ameaçadores" de policiais federais após sua prisão.
A investigação da Operação Compliance Zero apura a injeção de R$ 12 bilhões do BRB no Banco Master por meio da compra de carteiras de crédito consignado consideradas fraudulentas. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou em depoimento que o banco não conseguiu reaver R$ 2,5 bilhões investidos na operação após a liquidação do Master.
A Polícia Federal suspeita que a transação foi viabilizada por um esquema de corrupção. Mensagens analisadas pelos investigadores indicam que Vorcaro negociou o pagamento de vantagens indevidas a Costa, incluindo seis imóveis de luxo avaliados em cerca de R$ 146 milhões. Em um dos diálogos, Vorcaro diz a uma corretora sobre o então presidente do BRB: "Preciso dele feliz". Em outra conversa com o próprio Costa, o banqueiro se descreveu como um "resolvedor de problemas".
A relação entre Vorcaro e o ministro André Mendonça não é recente. Em março de 2025, meses antes da deflagração da operação, Mendonça admitiu ter recebido o banqueiro em uma reunião fora da agenda oficial, em São Paulo. Na época, o Banco Master já era investigado por suspeitas de fraude.
O ministro afirmou que o encontro foi uma iniciativa do empresário, que o assunto tratado foi sobre precatórios e que sua decisão no plenário foi contrária aos interesses do banco. A articulação para a reunião foi feita por um advogado e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP).
O Banco de Brasília (BRB) comprou R$ 12,7 bilhões em carteiras de crédito do Master, consideradas inconsistentes. Após a liquidação do banco de Daniel Vorcaro, o BRB não conseguiu recuperar R$ 2,5 bilhões que haviam sido investidos.
A defesa de Vorcaro solicitou o depoimento, sem a presença da Polícia Federal, alegando que o banqueiro se sentia ameaçado pelos investigadores e tinha informações a relatar sobre a condução do caso.
Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, é investigado por suspeita de ter recebido vantagens indevidas, incluindo seis imóveis de luxo avaliados em mais de R$ 140 milhões, para facilitar a compra das carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master.
A defesa de Daniel Vorcaro sobre a operação com o BRB ocorre em um contexto de graves acusações de fraude e corrupção, que resultaram em perdas bilionárias para o banco público. Suas alegações contra a Polícia Federal, feitas sem apresentação de provas, adicionam uma nova camada de tensão à investigação, que também já revelou contatos prévios entre o banqueiro e o ministro André Mendonça.
Após 26 anos, Superior Tribunal de Justiça define 10 de novembro para julgar recurso em ação de plágio movida por Léo Soltz contra Xuxa. Entenda o caso.
Preso por elo com milícia na Bahia, tenente-coronel apresentou notas de 2025 para justificar pagamentos recebidos desde 2021, aponta o Ministério Público.
Defesa do ex-controlador do Banco Master denuncia o Brasil por violações de direitos, alegando prisão sem denúncia formal e indefinição de juiz no STF. Saiba mais.
Fechar estradas em protestos pode gerar multas milionárias, suspensão da CNH e até prisão. Entenda as leis, as punições e as decisões do STF.