Entidade esotérica interrompe cooperação histórica após "ataque político" de Javier Milei. Saiba qual a condição para a retomada e o impacto em meio ao El Niño.
Olyvio Marques
Editor · América Latina · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A Fundação Cacique Cobra Coral (FCCC) anunciou a suspensão de sua "assistência climática" à Argentina, uma parceria que existia desde a Guerra das Malvinas, em 1982. A decisão, divulgada na segunda-feira (27), é uma resposta direta às declarações do presidente argentino Javier Milei, classificadas pela entidade como um "ataque político" ao Brasil. Atualizado em 28 de julho de 2026.
A medida foi tomada após o presidente Javier Milei, durante participação na convenção nacional do PL no Brasil, proferir críticas ao governo brasileiro e a instituições do país. Segundo a FCCC, "ocorreu um ataque político ao nosso país e, enquanto não houver um pedido formal de desculpas, na área climática, a Argentina estará por sua conta e risco" (CNN Brasil). As falas de Milei incluíram ofensas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes (O Globo).
A cooperação entre a Fundação Cacique Cobra Coral e a Argentina remonta à Guerra das Malvinas (1982) e à gestão de Raúl Alfonsín, o primeiro presidente eleito democraticamente após a ditadura militar no país (CNN Brasil). Um dos episódios notáveis da parceria ocorreu em janeiro de 1989, quando a fundação alega ter realizado uma "operação mística" para provocar chuvas e auxiliar a Argentina durante uma severa crise energética causada pela seca (Metrópoles).
A suspensão ocorre em um momento climaticamente sensível, com o início da atuação do fenômeno El Niño. A fundação declarou que a Argentina ficará "por sua conta e risco" neste período (O Tempo). Segundo a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), o El Niño tem 81% de chance de atingir a categoria "muito forte", o que deve provocar chuvas acima da média no país, especialmente nas bacias dos rios Iguaçu, Paraná e Uruguai (O Tempo).
A Fundação Cacique Cobra Coral se apresenta como uma organização espiritual que afirma ser capaz de influenciar fenômenos meteorológicos por meio de práticas mediúnicas. A entidade alega receber orientações do espírito do Cacique Cobra Coral, incorporado pela médium Adelaide Scritori. Não há comprovação científica de sua capacidade de alterar o clima (O Globo).
Não. Segundo o porta-voz da entidade, Osmar Santos, os convênios são "totalmente isentos de ônus" e não geram custos aos cofres públicos. Em contrapartida, a fundação exige que os governos parceiros demonstrem compromisso com a preservação ambiental, como desassoreamento de rios e reflorestamento (G1).
O governo brasileiro, através do Itamaraty, convocou o embaixador argentino no Brasil para esclarecimentos. Em nota, afirmou que "não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, acumule agressões e ofensas ao chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro" (Metrópoles).
A suspensão da assistência climática pela Fundação Cacique Cobra Coral marca o fim de uma colaboração de décadas e adiciona uma camada inusitada à crise diplomática entre Brasil e Argentina. A retomada do apoio está condicionada a um pedido formal de desculpas do governo de Javier Milei, deixando o país vizinho, segundo a entidade, desassistido diante dos desafios impostos pelo El Niño.
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