Aoshima, a 'Ilha dos Gatos' no Japão, ficou famosa por uma suposta ajuda de custo aos moradores. Entenda a real história, o controle populacional e como a comunidade se organiza.
Olyvio Marques
Editor · Ásia · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A história de que moradores da ilha de Aoshima, no Japão, recebem um pagamento para cuidar de gatos popularizou-se na internet, mas não corresponde à realidade. Atualizado em 22 de junho de 2026. Na verdade, o sustento dos felinos depende de um sistema de cooperação entre os poucos habitantes, voluntários e doações de todo o país, conforme apontam registros oficiais do município de Ozu.
Localizada na província de Ehime, Aoshima era uma comunidade de pescadores que, durante a Segunda Guerra Mundial, introduziu gatos para controlar uma infestação de ratos que danificavam barcos e redes de pesca. Com o tempo, a população humana diminuiu drasticamente — de cerca de 900 habitantes em 1945 para apenas um punhado de idosos —, enquanto os felinos, sem predadores naturais, se multiplicaram de forma acelerada.
Em 2014, um levantamento municipal registrou 91 gatos para 17 moradores, uma proporção de quase seis para um. Em 2018, o número de felinos ultrapassava 200 para apenas seis habitantes, uma relação de mais de 30 gatos por pessoa.
Documentos oficiais e reportagens locais esclarecem que não há registro de salário ou pagamento mensal aos moradores para cuidar dos gatos. A afirmação é uma simplificação incorreta de um arranjo colaborativo. O cuidado com os animais é uma estrutura formada pela cooperação entre os habitantes, voluntários, entidades de proteção animal e o poder público.
A alimentação dos gatos da ilha depende principalmente de doações recebidas pela associação de proteção dos gatos de Aoshima. Em 2014, os próprios moradores instituíram uma área de alimentação controlada para evitar que os turistas alimentassem os animais de forma desordenada.
Com a população humana envelhecendo e diminuindo, a superpopulação de gatos tornou-se um problema. Para lidar com a situação, uma grande operação de esterilização foi realizada em 2018, na qual 172 animais foram castrados gratuitamente. Essa medida foi crucial para controlar o número de nascimentos e garantir o bem-estar dos animais restantes.
Como resultado, a população de gatos também está em declínio, estimada entre 70 e 80 em 2025. O futuro de Aoshima é incerto, com a ilha enfrentando a possibilidade de extinção tanto de sua comunidade humana quanto felina, tornando-se um símbolo da crise demográfica do Japão.
O acesso à ilha é feito por uma barca que parte do Porto de Nagahama, com duas saídas diárias (às 8h e 14h30). A viagem dura cerca de 35 minutos e a passagem custa 700 ienes por trecho. A ilha não possui lojas, hotéis ou máquinas de venda, então os visitantes devem levar sua própria comida e água, além de recolher todo o lixo.
De acordo com os dados mais recentes disponíveis nas fontes, a ilha tem cerca de 5 a 6 habitantes humanos, todos idosos, e uma população de aproximadamente 80 gatos. Os números mudam constantemente devido ao envelhecimento de ambas as populações.
Os gatos foram introduzidos originalmente para controlar uma praga de ratos que afetava a comunidade de pescadores, danificando redes e barcos de pesca.
Aoshima, a "Ilha dos Gatos", é um lugar fascinante que revela uma complexa relação entre humanos e animais, marcada pelo despovoamento e pelo envelhecimento. A ideia de que seus moradores recebem para cuidar dos felinos é um mito; a realidade é uma história de cooperação e dependência de doações para manter uma comunidade única, cujo futuro permanece em aberto.
Um homem de 48 anos deixou o filho de 7 anos sozinho por horas, sob chuva e neblina, no Monte Fuji para continuar a escalada com o filho mais velho. Saiba detalhes.
Após 30 anos, uma missão arriscada planeja recuperar o corpo do alpinista 'Botas Verdes' no Everest. Entenda quem ele era e os desafios da operação.
Parlamento japonês aprova reforma para ampliar o número de membros da família real, mas mantém a proibição de imperatrizes. Entenda as novas regras.
Em regiões montanhosas e remotas do Nepal, a ausência de estradas e caminhões impõe desafios logísticos extremos. Entenda como a geografia local impede o transporte.